A presença de Guerra Oculta (Black Site, 2022) entre os filmes mais assistidos do Prime Video ajuda a explicar por que o longa dirigido por Sophia Banks tem despertado curiosidade. Estrelado por Jason Clarke, Michelle Monaghan e Jai Courtney, o thriller de ação aposta em uma estrutura bastante familiar, que dialoga diretamente com o cinema de gênero das décadas de 1980 e 1990. Leia a nossa crítica:
A trama de Black Site (2022)
A trama acompanha um grupo de agentes responsáveis por operar a Cidadela, um complexo ultrassecreto criado para manter prisioneiros considerados ameaças extremas à segurança global. O equilíbrio precário desse sistema desmorona quando Hatchet, um detento de alto valor interpretado por Jason Clarke, consegue escapar. A partir daí, o filme assume um ritmo de sobrevivência, com corredores estreitos, confrontos físicos e uma escalada constante de violência.
Desde os primeiros minutos, Guerra Oculta deixa claro que não pretende reinventar o gênero. O roteiro investe em diálogos pontuados por frases de efeito que remetem a clássicos estrelados por nomes como Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger. O próprio cenário da Cidadela funciona como uma referência direta a produções como Fortaleza (1992) e à franquia Rota de Fuga, reforçando a sensação de que o filme pertence a outra era do cinema de ação.
Essa escolha estética e narrativa se reflete também na abordagem da violência. O longa não economiza em confrontos gráficos e mortes exageradas, aproximando Hatchet de figuras clássicas do terror slasher. Jason Clarke constrói um antagonista que circula pelos ambientes como uma ameaça constante, evocando paralelos claros com personagens como Jason Voorhees, especialmente pela forma implacável com que elimina seus oponentes.
No centro da história está Abigail Trent, agente da CIA vivida por Michelle Monaghan. A atriz, conhecida por seus trabalhos na franquia Missão: Impossível, assume o papel da personagem que resiste ao caos instaurado dentro da Cidadela. Embora não seja uma heroína tradicional no molde dos protagonistas masculinos do gênero, Abigail cumpre uma função semelhante: alguém forçada a reagir a uma situação fora de controle, sustentando a narrativa até seus momentos finais. O roteiro ainda sugere camadas de conspiração que vão além do confronto direto, abrindo espaço para interpretações mais amplas — e até para uma eventual continuação.

O principal ponto frágil de Guerra Oculta está no desfecho, que recorre de forma excessiva a CGI e cenários digitais pouco convincentes. As limitações orçamentárias ficam evidentes nesse trecho, contrastando com a eficiência das sequências práticas anteriores. Ainda assim, o filme consegue entregar o que promete: uma experiência de ação direta, consciente de suas influências e interessada em dialogar com um público que sente falta de produções menos preocupadas em soar sofisticadas.
Crítica: vale à pena assistir Guerra Oculta no Prime Video?
Ao assumir esse espírito, Guerra Oculta se consolida como uma proposta que revisita códigos clássicos do gênero sob uma ótica atual, marcada por desconfiança institucional e conspirações. Para quem busca ação sem grandes pretensões, o longa encontra seu espaço no catálogo do Prime Video.