Fantasmas (Ghosts) - crítica da 3ª Temporada da série Fantasmas (Ghosts) - crítica da 3ª Temporada da série

Fantasmas – 3ª Temporada | Crítica da Série

A 3ª temporada de Fantasmas (Ghosts) chega agora à Netflix Brasil carregando o peso de um dos ganchos mais comentados da televisão recente. Após um final de 2ª temporada que terminou com a ascensão de um espírito do Woodstone B&B, a nova leva de episódios finalmente responde quem “foi sugado” — revelação que, por meses, alimentou debates entre fãs e dominou redes sociais. Criada por Joe Port e Joe Wiseman, a sitcom retorna tentando equilibrar humor, perda e continuidade narrativa, ainda que nem sempre alcance o impacto emocional que construiu ao longo dos anos. Confira a nossa crítica da série.

Um retorno aguardado, mas irregular

Desde sua estreia em 2021, Ghosts se consolidou como uma das comédias mais populares da CBS, combinando situações absurdas com vínculos afetivos bem definidos entre personagens vivos e mortos. Na 3ª temporada, a série opta por enfrentar diretamente as consequências do gancho anterior, sem recorrer a falsas reviravoltas. A saída de um dos fantasmas principais é real e permanente, o que representa uma decisão narrativa coerente com a importância do momento.

No entanto, a forma como essa ausência é trabalhada nos episódios iniciais revela problemas de ritmo. A temporada começa de maneira fragmentada, alternando humor e luto sem uma transição clara. Em vez de aprofundar gradualmente as reações dos personagens, o roteiro parece apressado em retomar a dinâmica tradicional da série, o que dilui parte do peso emocional esperado.

A revelação e suas consequências narrativas

Sem entrar em spoilers, a identidade do fantasma que deixa Woodstone é impactante e faz sentido dentro do desenvolvimento apresentado nas temporadas anteriores. Trata-se de um personagem com arco bem construído e forte conexão com o público. A decisão de retirá-lo da história é ousada e poderia servir como motor dramático para toda a temporada.

O problema surge na reação dos fantasmas restantes. Enquanto Sam (Rose McIver) e Jay (Utkarsh Ambudkar) demonstram uma resposta emocional mais consistente à perda, parte dos espíritos parece lidar com a notícia de forma superficial. Considerando o convívio constante e a ideia de “família” construída ao longo da série, essa falta de uniformidade emocional causa estranhamento e enfraquece a coerência interna do grupo.

O elenco segue como ponto forte de Fantasmas

Mesmo com um roteiro instável na estreia, o elenco continua sendo o grande trunfo de Fantasmas. Rose McIver mantém firme o papel de elo emocional da série, conduzindo as cenas mais delicadas com naturalidade. Utkarsh Ambudkar, por sua vez, segue ampliando a complexidade de Jay, personagem que, mesmo sem enxergar os espíritos, estabelece com eles uma relação cada vez mais relevante para a narrativa.

Entre os fantasmas, um personagem em especial recebe maior atenção emocional nos primeiros episódios, mostrando que a série ainda sabe explorar suas figuras menos óbvias. Ainda assim, outros espíritos acabam reduzidos a funções cômicas pontuais, perdendo a profundidade vista em temporadas anteriores.

Humor em ajuste fino

O humor, marca registrada de Ghosts, permanece presente, mas com intensidade variável. O episódio de estreia aposta em situações que funcionam mais como transição do que como destaque cômico. Já o segundo episódio apresenta um ritmo mais definido e uma retomada mais clara do tom da série, com piadas melhor integradas à trama e menos dependentes do choque inicial da perda.

Essa oscilação pode estar relacionada ao formato mais curto da temporada, impactada pelas paralisações do WGA e do SAG-AFTRA. Ainda assim, a série demonstra capacidade de se reorganizar rapidamente.

Fantasmas (Ghosts) - crítica da 3ª Temporada da série

O que esperar da 3ª temporada de Fantasmas

A 3ª temporada de Fantasmas (Ghosts) começa de forma instável, mas lança bases interessantes para os episódios seguintes. A série evita soluções fáceis e confirma que mudanças reais podem acontecer em seu universo. Para avançar, no entanto, precisará aprofundar melhor os efeitos da perda sobre todos os personagens, equilibrando com mais cuidado drama e comédia.

Mesmo com tropeços iniciais, Ghosts segue sendo uma comédia eficiente e carismática. Se conseguir alinhar ritmo, emoção e desenvolvimento de personagens, a nova temporada tem potencial para recuperar a força que transformou a série em uma das mais queridas do gênero nos últimos anos.