Pitt interpreta Sonny Hayes, um piloto veterano que vê sua carreira ganhar um último fôlego quando é convidado por Ruben Cervantes (Javier Bardem) a integrar a problemática equipe APXGP. Em crise financeira e técnica, o time precisa desesperadamente de resultados para evitar a perda do controle para investidores oportunistas. A missão de Sonny é dupla: ajudar a desenvolver um carro competitivo e orientar Joshua Pearce (Damson Idris), jovem talento veloz, porém imaturo, mais preocupado com imagem pública do que com trabalho coletivo.
A estrutura narrativa de F1 segue um caminho conhecido do cinema esportivo. O veterano experiente, marcado por um acidente grave no passado, representa uma relação quase espiritual com o ato de pilotar. Já o jovem prodígio simboliza a lógica contemporânea do espetáculo, das redes sociais e do marketing pessoal. O conflito entre os dois sustenta boa parte do drama, mas raramente escapa do previsível.
A parceria entre Brad Pitt e Joseph Kosinski remete inevitavelmente a Top Gun: Maverick. No entanto, enquanto Tom Cruise conseguia fundir sua persona de astro com o arco emocional do personagem, Pitt parece operar em outra chave. Seu Sonny Hayes é carismático, mas distante, funcionando mais como símbolo de uma era do que como figura verdadeiramente transformada ao longo da narrativa. O filme aposta em sua presença magnética, mas evita colocá-lo em situações que realmente testem seus limites.
Visualmente, F1: O Filme é o ponto alto da produção. A fotografia de Claudio Miranda, aliada à edição precisa de Stephen Mirrione, cria sequências de corrida imersivas, com câmeras posicionadas dentro dos carros e movimentos que transmitem a instabilidade e o risco das pistas. A trilha sonora de Hans Zimmer reforça essa sensação de urgência, funcionando quase como um motor adicional para a narrativa.

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Ainda assim, o longa carece de densidade temática. Diferente de obras como Ford vs Ferrari ou Dias de Trovão, F1 não se aprofunda nas consequências emocionais do esporte nem em suas transformações históricas. O discurso sobre mentoria e legado aparece, mas o roteiro evita deslocar o protagonismo de Pitt, enfraquecendo a ideia de transição geracional que sugere abordar.
Com 156 minutos de duração, F1: O Filme mantém ritmo acelerado e dificilmente se torna entediante. Embora diga pouco sobre o passado, o presente ou o futuro da Fórmula 1, entrega uma experiência técnica eficiente, pensada para o impacto imediato. Não é um filme que redefine o gênero, mas funciona como entretenimento de alta octanagem, impulsionado pela força de sua estrela e pela precisão de sua encenação.