Eu, Meu Pai e um Bebê 1ª Temporada - Crítica da série disponível no Filmelier+ Eu, Meu Pai e um Bebê 1ª Temporada - Crítica da série disponível no Filmelier+

Eu, Meu Pai e um Bebê – 1ª Temporada | Crítica da Série | Filmelier+

A série britânica “Eu, Meu Pai e um Bebê” (Daddy Issues) estreia sua primeira temporada no Brasil com exclusividade pelo Filmelier+, trazendo uma comédia que aposta menos em fórmulas tradicionais e mais na dinâmica entre seus protagonistas. Criada por Danielle Ward, ex-comediante e roteirista, a produção da BBC Three é estrelada por Aimee Lou Wood e David Morrissey e parte de um ponto de vista familiar, mas conduzido com um recorte mais direto e contemporâneo. Leia a nossa crítica.

A trama de Daddy Issues

A trama acompanha Gemma, uma jovem de vinte e poucos anos que vive de maneira desorganizada, sem grandes planos para o futuro e confortável com relações casuais. Trata-se de um tipo de personagem comum na comédia televisiva recente, mas que ganha novo fôlego graças à atuação de Aimee Lou Wood. A atriz imprime carisma e timing preciso a uma figura que poderia facilmente cair no lugar-comum, equilibrando humor físico, ironia e fragilidade emocional.

O eixo central da série se estabelece quando Gemma descobre estar grávida e precisa lidar com Malcolm, seu pai distante. Interpretado por David Morrissey, o personagem é um homem divorciado, solitário e claramente marcado por escolhas equivocadas do passado. A gravidez da filha surge como uma chance tardia de reparação, e a série encontra força justamente nesse encontro entre expectativas frustradas, silêncios mal resolvidos e tentativas desajeitadas de reconexão.

A química entre Wood e Morrissey sustenta grande parte do interesse da narrativa. Os dois atores demonstram sintonia desde as primeiras cenas, explorando o contraste geracional e emocional com naturalidade. Quando dividem o espaço em cena, a série encontra seu melhor ritmo, extraindo humor de situações desconfortáveis sem recorrer constantemente a exageros.

A experiência de Danielle Ward como roteirista de piadas aparece em diálogos ágeis e observações diretas, com tiradas rápidas que funcionam especialmente bem em cenas mais íntimas. O texto também reserva espaço para momentos de maior carga emocional, permitindo que a relação entre pai e filha avance além do humor imediato. Ainda assim, o roteiro oscila em alguns episódios, alternando bons achados com situações que parecem depender de coincidências pouco críveis.

Eu, Meu Pai e um Bebê 1ª Temporada - Crítica da série disponível no Filmelier+

A direção de Catherine Morshead busca uma abordagem visual mais realista, próxima da comédia dramática. Essa escolha estética nem sempre dialoga com o tom do texto, o que faz com que algumas piadas percam impacto na transposição do papel para a tela. Em certos momentos, a série parece dividida entre o desejo de naturalismo e a necessidade de exagero cômico, gerando um desequilíbrio pontual.

Crítica: vale à pena assistir a série “Eu, Meu Pai e um Bebê”?

Mesmo com essas irregularidades, “Eu, Meu Pai e um Bebê” se sustenta pelo relacionamento central e pelo desempenho de seu elenco principal. A série pode não apresentar uma conclusão perfeita em sua temporada inicial, mas demonstra potencial de crescimento à medida que aprofunda o vínculo entre Gemma e Malcolm. Se a narrativa optar por concentrar ainda mais atenção nessa relação, há espaço para que Daddy Issues se consolide como uma comédia consistente dentro do catálogo do Filmelier+.