Eternidade (Eternity, 2025) - Crítica e Fatos do Filme com Elizabeth Olsen Eternidade (Eternity, 2025) - Crítica e Fatos do Filme com Elizabeth Olsen

Eternidade (2025) | Crítica do Filme | AppleTV+

A comédia romântica Eternidade chega ao catálogo do Apple TV+ com uma proposta incomum: tratar a morte e a vida após ela como um grande dilema afetivo, equilibrando humor, fantasia e melancolia. Dirigido por David Freyne, o longa parte de uma ideia que soa arriscada no papel, mas encontra na execução um caminho que privilegia a emoção e o envolvimento do espectador.

A trama acompanha Larry, vivido por Miles Teller, um homem que morre de forma repentina durante uma reunião familiar e desperta em um espaço intermediário entre a vida e o além. Esse local funciona como uma espécie de estação de passagem, onde os recém-falecidos recebem sete dias para escolher em qual “eternidade temática” desejam passar o resto da existência. Entre opções curiosas e irônicas — algumas descontinuadas, outras lotadas —, o filme constrói um universo próprio que mistura referências religiosas, conceitos filosóficos e humor observacional.

É nesse espaço que Larry descobre que as pessoas assumem, após a morte, a aparência do período mais feliz de suas vidas. A explicação ganha peso emocional quando Joan, sua esposa por mais de seis décadas, chega ao além com o rosto rejuvenescido e agora interpretada por Elizabeth Olsen. O reencontro, porém, é interrompido pela presença de Luke, o primeiro marido de Joan, vivido por Callum Turner, morto ainda jovem na Guerra da Coreia e que esperou décadas por ela naquele limbo organizado.

A partir daí, Eternidade se estrutura como um triângulo amoroso improvável, sustentado por uma pergunta central: com quem faz mais sentido passar a eternidade? O companheiro com quem se construiu uma vida inteira ou o amor interrompido antes mesmo de se desenvolver plenamente? O roteiro, assinado por Freyne e Pat Cunnane, evita respostas simples e permite que cada personagem apresente seus argumentos, revelando fragilidades, ressentimentos e afetos que atravessaram o tempo.

O tom do filme se aproxima de produções que tratam a morte de forma leve e inventiva, usando o humor como ferramenta para discutir escolhas definitivas. Personagens secundários, como os coordenadores do além interpretados por Da’Vine Joy Randolph e John Early, ajudam a dar ritmo à narrativa, comentando o funcionamento burocrático da vida após a morte e, ao mesmo tempo, se envolvendo emocionalmente no destino de Joan.

Eternidade (Eternity, 2025) - Crítica e Fatos do Filme com Elizabeth Olsen

Crítica do filme: vale à pena assistir Eternidade no AppleTV+?

Apesar do charme da proposta e da química entre os protagonistas, Eternidade encontra dificuldades no último ato. A decisão final de Joan é coerente com o que o filme constrói até ali, mas o caminho até esse momento se alonga mais do que o necessário. A sensação é de que o roteiro tenta explorar todas as possibilidades desse universo antes de se despedir dele, o que acaba diluindo o impacto do desfecho.

Ainda assim, Eternidade se destaca pela originalidade e pela forma como transforma um tema universal em uma reflexão acessível sobre amor, perda e escolhas irreversíveis. Sem recorrer ao peso do drama tradicional, o filme convida o público a pensar sobre o que realmente define uma vida compartilhada — e se isso continua valendo mesmo depois da morte.