A comédia romântica Entre Nós (The Threesome, 2025), dirigida por Chad Hartigan e escrita por Ethan Ogilby, chega ao Prime Video apostando em uma premissa que mistura humor, romance e situações inesperadas. O longa acompanha Connor, Olivia e Jenny, interpretados por Jonah Hauer-King, Zoey Deutch e Ruby Cruz, respectivamente, em uma relação que foge do convencional e se complica após uma noite impulsiva. Leia a nosa crítica.
À primeira vista, a ideia pode remeter às comédias escrachadas dos anos 2000, mas o filme opta por um caminho mais centrado nos personagens e nas consequências emocionais de suas escolhas. A narrativa se desenvolve a partir de um evento inesperado — que envolve gravidez e decisões afetivas — e encontra força justamente na forma como os protagonistas lidam com a situação. Em vez de apostar apenas no choque ou no humor exagerado, o roteiro constrói conflitos que dialogam com experiências reais, ainda que inseridos em um contexto incomum.
Um dos destaques do filme está na dinâmica entre o trio principal. Zoey Deutch se sobressai ao equilibrar segurança e vulnerabilidade, criando uma personagem que vai além do arquétipo da mulher confiante. Já Jonah Hauer-King traz ao protagonista masculino um carisma que sustenta o tom leve da narrativa, enquanto Ruby Cruz trabalha com mais sutileza, oferecendo uma presença que funciona como eixo emocional da história. Mesmo com menor espaço para reviravoltas, sua atuação contribui para manter o equilíbrio entre humor e drama.
O texto aposta em diálogos rápidos e bem ritmados, que lembram tanto sitcoms quanto comédias românticas clássicas. Ainda que nem sempre soem naturais, funcionam dentro da proposta do filme, especialmente pela entrega do elenco. Há também espaço para participações pontuais, como a de Josh Segarra, que aparece em um papel menor, mas eficiente ao representar as consequências das decisões impulsivas.
Na direção, Chad Hartigan conduz a história com simplicidade, apostando em uma abordagem direta e sem excessos. O resultado lembra produções independentes do fim dos anos 2000, tanto pelo estilo quanto pelo foco em relações humanas. Essa escolha reforça o caráter despretensioso do filme, que não busca grandes discursos ou análises profundas sobre relacionamentos contemporâneos, mas sim contar uma história envolvente com começo, meio e fim bem definidos.

Crítica do filme: vale à pena assistir Entre Nós no Prime Video?
Ainda assim, o longa apresenta algumas irregularidades, especialmente no terceiro ato. Determinadas decisões narrativas parecem apressadas e acabam reduzindo o impacto de conflitos que vinham sendo construídos com cuidado. Mesmo assim, o tom geral se mantém consistente, e o filme consegue preservar seu principal objetivo: entreter.
No fim, Entre Nós funciona como uma dramédia leve, que revisita um estilo de produção que marcou o cinema independente recente. Sem pretensão de reinventar o gênero, o filme encontra sua identidade ao equilibrar humor, romance e situações fora do padrão, apoiado por um elenco afinado e uma narrativa acessível.