Em Um Piscar de Olhos (In The Blink of An Eye, 2026) - Crítica e Fatos do Filme de Andrew Stanton para o Disney+ Em Um Piscar de Olhos (In The Blink of An Eye, 2026) - Crítica e Fatos do Filme de Andrew Stanton para o Disney+

Em Um Piscar de Olhos (2026) | Crítica do Filme | Disney+

A adaptação Em Um Piscar de Olhos (In The Blink of An Eye), que estreia no Disney+, marca o retorno de Andrew Stanton à direção de longas com atores reais após um longo período dedicado principalmente à Pixar. Conhecido por títulos como WALL-E e Procurando Nemo, Stanton volta a explorar a ficção científica, agora em um registro dramático que aposta na ideia de conexão humana atravessando milênios. Leia a crítica do filme.

O filme estrutura sua narrativa a partir de três linhas temporais distintas. A primeira se passa há cerca de 45 mil anos e acompanha uma família de neandertais em luta constante pela sobrevivência. Liderados por Thorn e Hera, eles enfrentam ameaças naturais, dificuldades físicas e o avanço dos Homo sapiens, tratados como um perigo iminente. É um arco que investe em situações básicas de vida e morte, reforçando a fragilidade da existência naquele período.

A segunda trama ocorre no presente e acompanha Claire, uma antropóloga vivida por Rashida Jones, que divide seu tempo entre a pesquisa acadêmica sobre restos de proto-humanos, o luto pela morte da mãe e o início de um relacionamento com Greg, interpretado por Daveed Diggs. Esse segmento tenta dialogar diretamente com o passado distante apresentado no início, criando paralelos entre descobertas científicas, maternidade e a continuidade da espécie.

Por fim, o futuro apresenta uma narrativa ambientada a bordo de uma nave espacial geracional que segue rumo ao planeta Kepler-22b. Ali, a capitã Coakley, papel de Kate McKinnon, é a única humana acordada durante a missão, contando apenas com o auxílio de uma inteligência artificial chamada Rosco. Essa linha temporal carrega o discurso mais direto do filme sobre cooperação, persistência e responsabilidade coletiva diante da extinção iminente da humanidade na Terra.

O roteiro de Colby Day se apoia fortemente em simetrias entre nascimento, morte e herança simbólica. Um objeto — uma bolota que atravessa gerações — funciona como elo literal entre as três histórias. A ideia é clara, mas sua execução acaba excessivamente didática, reduzindo o impacto das conexões temáticas que o filme pretende construir.

Na direção, Stanton opta por uma abordagem contida, distante do virtuosismo visual que marcou seus trabalhos na animação. A alternância constante entre os três períodos, em vez de aprofundar as relações entre eles, cria uma sensação de fragmentação. Nenhuma das tramas se sustenta plenamente de forma isolada, e o conjunto depende mais da repetição de conceitos do que do desenvolvimento dramático.

Em Um Piscar de Olhos (In The Blink of An Eye, 2026) - Crítica e Fatos do Filme de Andrew Stanton para o Disney+

Crítica do filme: vale à pena assistir Em Um Piscar de Olhos no Disney+?

As comparações com obras como 2001: Uma Odisseia no Espaço, Interestelar e A Viagem são inevitáveis, especialmente pela ambição de atravessar tempos e discutir o papel da humanidade no universo. No entanto, Em Um Piscar de Olhos não alcança o mesmo peso conceitual dessas referências, permanecendo mais próximo de um exercício de ideias do que de uma experiência plenamente envolvente.

Ainda assim, o filme deixa claro seu objetivo: refletir sobre aquilo que conecta os seres humanos, independentemente da época. Mesmo com limitações narrativas e um roteiro irregular, a produção pode interessar a quem busca uma ficção científica centrada menos em ação e mais em reflexões sobre continuidade, legado e sobrevivência coletiva.