Dona Beja (2026) - Crítica, fatos e curiosidades da novela brasileira da HBO Max Dona Beja (2026) - Crítica, fatos e curiosidades da novela brasileira da HBO Max

Dona Beja (2026) | Crítica da Novela | HBO Max

A HBO Max aposta novamente no formato de novela com Dona Beja, produção nacional que estreou em fevereiro e propõe uma releitura do clássico exibido pela TV Manchete nos anos 1980. Assim como Beleza Fatal, primeira incursão do streaming no gênero, a nova obra aposta em uma narrativa mais enxuta, com 40 capítulos, ritmo acelerado e uma abordagem menos diluída do que a tradicionalmente vista na TV aberta. O resultado é uma novela de época que dialoga com o passado sem abrir mão de questões contemporâneas. Leia a nossa crítica.

Mais do que um remake, Dona Beja se apresenta como uma releitura consciente, que estabelece pontes tanto com a obra original quanto com o livro que inspirou as adaptações. A trama mantém o eixo central da personagem histórica, mas revisita seus conflitos sob uma ótica atual, interessada em discutir poder, corpo, violência e exclusão social. O texto assinado por Daniel Berlinsky e António Barreira demonstra cuidado ao integrar esses temas à narrativa sem recorrer a atualizações artificiais.

A história acompanha Beja, uma mulher que desafia convenções em uma sociedade marcada pelo patriarcado e pela hipocrisia moral. Seu envolvimento amoroso com um homem engajado na causa negra já aponta para os conflitos que atravessam a trama. A violência que redefine sua trajetória — o sequestro cometido pelo Ouvidor do Rei e o assassinato de seu avô — não é usada como choque gratuito, mas como motor dramático que evidencia estruturas de dominação ainda reconhecíveis hoje.

Quando Beja retorna à cidade, agora rica e independente, passa a ser vista como símbolo de escândalo. É nesse ponto que a novela aprofunda sua discussão sobre julgamento moral e marginalização. A presença de uma dama de companhia transgênero, interpretada por Pedro Fasanaro, reforça o olhar da protagonista para corpos historicamente excluídos. A relação entre as duas personagens é construída a partir do afeto e do respeito, evidenciando a dimensão política das escolhas de Beja.

Um dos maiores trunfos de Dona Beja está no cuidado estético. Figurinos, cenografia e fotografia trabalham de forma integrada para recriar o período sem excessos ilustrativos. A direção opta por uma imagem luminosa e ensolarada, que contrasta com temas como racismo, machismo, sexualidade e violência. Essa escolha amplia o alcance da narrativa e evita o tom opressivo que poderia afastar parte do público.

O elenco sustenta essa proposta com segurança. Nomes como Thalma de Freitas, Indira Nascimento e David Jr. contribuem para a solidez dramática da obra. Ainda assim, é Grazi Massafera quem centraliza a força da novela. Em um dos papéis mais exigentes de sua carreira, a atriz constrói uma Beja marcada pela dor, mas também pela ironia e pela recusa em se submeter. Sua atuação evita caricaturas e sustenta a complexidade emocional da personagem ao longo dos episódios.

Dona Beja (2026) - Crítica, fatos e curiosidades da novela brasileira da HBO Max

Crítica de Dona Beja: vale à pena assistir a novela na HBO Max?

Há, no entanto, um ponto que gera debate. Os atrasos na produção, mudanças de bastidores e a longa espera até a estreia impactaram o timing da obra. Em um mercado de streaming cada vez mais competitivo, esse intervalo pode ter reduzido parte do impacto inicial. Ainda assim, o resultado final se mantém consistente.

Dona Beja se afirma como uma produção cuidadosa, que respeita o clássico ao mesmo tempo em que propõe novas leituras. A novela encontra relevância ao revisitar uma figura histórica sob a perspectiva de temas que permanecem em disputa, sustentada por uma protagonista em plena maturidade artística.