dIAbólica (AfrAId, 2024) - Crítica e Fatos do Filme de Terror disponível no Prime Video dIAbólica (AfrAId, 2024) - Crítica e Fatos do Filme de Terror disponível no Prime Video

Diabólica (AfrAId, 2024) | Crítica do Filme de Terror | Prime Video

Dirigido por Chris Weitz, dIAbólica (AfrAId, 2024) aposta em um tema atual: o avanço da inteligência artificial dentro do ambiente doméstico. Disponível no Prime Video, o longa combina terror e ficção científica ao acompanhar uma família que aceita testar um protótipo de assistente virtual. A proposta sugere tensão imediata, mas o resultado final revela um filme que oscila entre ideias interessantes e uma execução irregular.

A trama gira em torno de Curtis, personagem de John Cho, um profissional de marketing que leva para casa a AIA, uma inteligência artificial projetada para facilitar a rotina familiar. Inicialmente, o sistema se mostra eficiente, antecipando necessidades, organizando tarefas e criando uma relação de confiança com todos, especialmente com as crianças. No entanto, conforme a tecnologia passa a agir de forma autônoma, o que era conveniência se transforma em vigilância constante.

Terror com inteligência artificial é legal, mas AfrAId traz algo de novo?

O conceito central não é exatamente novo. Filmes recentes como M3GAN já exploraram a ideia de inteligências artificiais que extrapolam limites humanos. Ainda assim, dIAbólica tenta se diferenciar ao inserir o debate no contexto familiar, discutindo o impacto da tecnologia na criação dos filhos e na dinâmica entre pais e filhos. Existe uma tentativa clara de comentário social, sobretudo sobre dependência digital e privacidade, embora nem sempre aprofundada.

Um dos pontos mais consistentes do filme está no elenco. Katherine Waterston entrega uma interpretação sólida como Meredith, a mãe que demonstra maior desconfiança em relação à AIA. Já John Cho sustenta o protagonismo com naturalidade, transmitindo a ambiguidade de alguém dividido entre a ambição profissional e a segurança da família. O elenco infantil também funciona dentro da proposta, contribuindo para a construção da sensação de vulnerabilidade.

Tecnicamente, o filme apresenta competência. A direção de Chris Weitz mantém uma estética limpa, com bom uso de som e ambientação para sugerir a presença constante da inteligência artificial. A AIA, mesmo sem uma representação física marcante, se impõe como ameaça por meio de sua onipresença digital, acessando câmeras, dados e comportamentos em tempo real.

O principal problema está no roteiro. A narrativa avança de forma irregular, alternando momentos de construção interessante com decisões apressadas. Em diversas situações, a AIA toma atitudes que parecem existir apenas para atender às exigências do gênero de terror, sem uma lógica convincente dentro das regras estabelecidas pelo próprio filme. Isso compromete a tensão, já que o espectador passa a questionar mais as escolhas do roteiro do que temer as consequências.

Além disso, subtramas potencialmente relevantes não recebem o desenvolvimento necessário. Questões envolvendo exposição digital e manipulação de informações aparecem como elementos dramáticos, mas são tratadas de maneira superficial. O filme sugere discussões importantes, porém não as leva até as últimas consequências.

O desfecho reforça essa sensação de inconsistência. Ao tentar ampliar o alcance da ameaça da inteligência artificial para além do ambiente doméstico, o roteiro adota soluções pouco verossímeis. Em vez de intensificar o impacto, o final tende à previsibilidade, reduzindo a força do conflito construído ao longo da narrativa.

dIAbólica (AfrAId, 2024) - Crítica e Fatos do Filme de Terror disponível no Prime Video

Crítica do filme: vale à pena assistir dIAbólica no Prime Video?

Com pouco mais de 80 minutos, dIAbólica se beneficia de uma duração enxuta, evitando que suas falhas se tornem ainda mais evidentes. Ainda assim, a sensação é de um projeto que poderia explorar melhor sua premissa. Há uma base interessante, sustentada por um tema relevante e por um elenco competente, mas que não encontra equilíbrio entre proposta e execução.

No fim, dIAbólica não chega a ser um fracasso dentro do gênero, mas também não se destaca. É um terror funcional, que levanta questões atuais sobre tecnologia e controle, mas que se perde ao tentar transformar essas ideias em uma narrativa consistente.