Dhurandhar (2025) - Crítica, fatos e curiosidades do filme indiano da Netflix Dhurandhar (2025) - Crítica, fatos e curiosidades do filme indiano da Netflix

Dhurandhar (2025) | Crítica do Filme | Netflix

Dirigido por Aditya Dhar, Dhurandhar (2025) chegou ao catálogo da Netflix cercado de expectativa e rapidamente se tornou um dos títulos indianos mais assistidos da plataforma. Com 212 minutos de duração, o filme aposta em uma narrativa de espionagem política que combina vingança, conflitos geopolíticos e personagens inspirados em figuras reais, mantendo a linha temática que o cineasta já havia explorado em Uri e Article 370. Confira a nossa crítica.

A proposta do filme indiano

A proposta de Dhurandhar é clara desde o início: apresentar uma história de infiltração e guerra silenciosa travada nos bastidores do poder, voltada a um público que vê com desconfiança qualquer ideia de conciliação entre Índia e Paquistão após eventos como o ataque ao Parlamento indiano em 2001 e os atentados de Mumbai, em 2008. Embora o filme se apresente como ficção, as semelhanças com acontecimentos e personagens da vida real são evidentes e funcionam como motor dramático da narrativa.

No centro da trama está Ajay Sanyal (R. Madhavan), um estrategista do governo que aguarda o momento político ideal para colocar em prática um plano de desmantelamento de redes terroristas que operam a partir de Karachi. Quando recebe autorização de um ministro veterano interpretado por Akash Khurana, Sanyal articula uma infiltração no submundo de Lyari, região dominada por gangues usadas como instrumento de pressão política.

Para isso, entra em cena Hamza (Ranveer Singh), um agente disfarçado que adota uma postura introspectiva e sombria para ganhar a confiança de Rehman Dakait (Akshaye Khanna), líder de uma facção local ligada ao político oportunista Jameel Jamali (Rakesh Bedi). A estratégia envolve manipulação emocional, ambição política e o uso de vínculos pessoais para provocar rupturas internas, um recurso conhecido do gênero, mas conduzido com atenção aos detalhes de poder e hierarquia.

Entre os destaques do elenco, Akshaye Khanna domina cada cena em que aparece, construindo um antagonista de presença intimidadora e olhar calculado. Rakesh Bedi também se sobressai ao transitar entre momentos de humor e crueldade sem comprometer a coerência do personagem. Ranveer Singh, por sua vez, sustenta uma atuação contida e melancólica, que faz sentido dentro da proposta, mas perde impacto ao longo da extensa duração do filme.

Tecnicamente, Dhurandhar investe em uma trilha sonora pulsante assinada por Shashwat Sachdev, além de inserir imagens documentais e cenas de violência gráfica para reforçar o realismo da narrativa. O uso desses elementos, no entanto, nem sempre encontra equilíbrio, dando ao filme um tom excessivamente prolongado e disperso em determinados trechos.

O principal problema da obra está justamente em sua ambição. Ao introduzir diversos personagens secundários, como o policial Chaudhary Aslam (Sanjay Dutt) e o oficial da ISI Major Iqbal (Arjun Rampal), o roteiro se afasta do núcleo central e dilui o ritmo prometido pelo material promocional. A sensação é de que Dhurandhar prepara mais o terreno do que entrega um arco narrativo completo.

Dhurandhar (2025) - Crítica, fatos e curiosidades do filme indiano da Netflix

Crítica: vale à pena assistir Dhurandhar na Netflix?

Ainda assim, mesmo com excesso de duração e certa pretensão temática, o filme mantém uma força constante que explica seu sucesso na Netflix. Ao final, Dhurandhar funciona como uma introdução robusta a um universo que claramente foi pensado para continuar, deixando o público curioso pelos próximos desdobramentos da chamada Operação Dhurandhar.