De Férias Com Você (2026) - Crítica do filme Netflix De Férias Com Você (2026) - Crítica do filme Netflix

De Férias Com Você (2026) | Crítica do Filme | Netflix

A Netflix acaba de estrear De Férias com Você (People We Meet on Vacation, 2026), adaptação do romance homônimo de Emily Henry, sob direção de Brett Haley. O filme (assista aqui) chega embalado pelo sucesso editorial do livro e pela popularidade contínua das comédias românticas no streaming, mas o resultado final revela uma produção que aposta mais em referências conhecidas do gênero do que em uma identidade própria.

A trama da adaptação

A narrativa acompanha Poppy (Emily Bader), uma escritora de viagens que começa a questionar sua carreira e suas escolhas pessoais. A crise profissional logo se conecta à sua relação mal resolvida com Alex (Tom Blyth), amigo desde a época da faculdade. Desde que se conheceram em uma viagem de carro entre Boston e Ohio, os dois mantêm o hábito de passar uma semana de férias juntos todos os anos, enquanto evitam encarar sentimentos que sempre estiveram à superfície. A estrutura não linear intercala esses encontros ao longo do tempo, até o momento em que Poppy decide ir a um casamento em Barcelona para, talvez, finalmente mudar o rumo dessa relação.

A premissa tem apelo, mas o desenvolvimento raramente vai além do previsível. O filme dialoga diretamente com títulos como Harry e Sally – Feitos Um para o Outro, O Casamento do Meu Melhor Amigo e Um Dia, sem conseguir atualizar ou aprofundar os conflitos que tornaram esses filmes marcantes. A sensação é de um mosaico de ideias familiares, reunidas sem a construção emocional necessária para que ganhem peso dramático.

Brett Haley, que já demonstrou sensibilidade em trabalhos como Por Lugares Incríveis e em dramas independentes centrados nos personagens, parece operar aqui em modo automático. A encenação é marcada por escolhas visuais pouco expressivas: a fotografia em widescreen não encontra justificativa narrativa, a edição não explora o potencial das diferentes linhas temporais e o excesso de planos médios esvazia cenas que pediam maior intimidade. Tom Blyth, em especial, é um ator que trabalha bem com sutilezas, mas o filme raramente se aproxima o suficiente para captar essas nuances.

O roteiro, assinado por Yulin Kuang, Amos Vernon e Nunzio Randazzo, também contribui para a sensação de superficialidade. Os personagens secundários surgem mais como funções do que como pessoas. Sabemos pouco sobre o trabalho de Poppy além do rótulo de “escritora de viagens”, enquanto figuras como a chefe interpretada por Jameela Jamil ou a melhor amiga vivida por Alice Lee aparecem sem desenvolvimento. O mesmo ocorre com a família de Alex e com os pais de Poppy, interpretados por Alan Ruck e Molly Shannon, que recebem tempo de tela sem que isso resulte em maior compreensão dos protagonistas.

Até mesmo os cenários, que percorrem destinos turísticos ao redor do mundo, parecem cumprir mais um papel estético do que dramático. A pequena cidade de Ohio, central para os conflitos emocionais de Alex e para as memórias de Poppy, é mostrada de forma genérica, sem personalidade ou impacto narrativo.

De Férias Com Você (2026) - Crítica do filme Netflix

Crítica: vale à pena assistir De Férias com Você na Netflix?

No fim, De Férias com Você se apresenta como uma comédia romântica moldada para circulação rápida nas redes sociais, mais interessada em imagens agradáveis e momentos facilmente destacáveis do que em aprofundar relações. O resultado frustra especialmente por envolver um diretor experiente e dois atores jovens que já demonstraram potencial em produções menores. Resta a sensação de uma oportunidade desperdiçada em meio a tantas referências melhores do próprio gênero.