A nova série espanhola do Prime Video aposta em um suspense tecnológico ambientado em um momento simbólico para o setor digital: a semana do Mobile World Congress, um dos maiores encontros globais da indústria de tecnologia. Intitulada Day One, a produção acompanha uma corrida contra o tempo envolvendo uma descoberta capaz de alterar o comportamento humano e reacende debates atuais sobre inteligência artificial, privacidade e poder corporativo.
Com seis episódios de cerca de 40 minutos, a série constrói sua narrativa em torno de Ulises Albet, um ex-prodígio da computação que abandonou a carreira corporativa após desenvolver uma visão crítica sobre os rumos da tecnologia. Interpretado por Álex González, o personagem retorna ao centro da indústria quando um assassinato misterioso o coloca novamente em contato com o mundo que ele tentou deixar para trás.
Uma conspiração tecnológica em Barcelona
Ambientada em uma versão próxima do futuro, a trama se passa em 2026, quando Barcelona se torna palco de encontros entre executivos, engenheiros e investidores durante o congresso tecnológico internacional. Nesse cenário de inovação constante, Ulises reaparece após anos afastado, agora visto como uma figura incômoda dentro da indústria que ajudou a construir.
A situação se complica quando um antigo amigo entra em contato pedindo ajuda e, pouco depois, surge um crime que acaba colocando o próprio Ulises como suspeito. A partir daí, a série se transforma em uma narrativa de perseguição e investigação, levando o protagonista a descobrir uma tecnologia prestes a ser lançada no mercado.
O sistema em questão promete revolucionar a comunicação digital ao influenciar emoções, decisões e comportamentos humanos. O que começa como uma inovação voltada à conectividade rapidamente se revela uma ferramenta com potencial de manipulação em larga escala.

A parceria entre Ulises e Rebecca
Durante sua investigação, Ulises encontra apoio em Rebecca, personagem interpretada por Alba Planas. Inicialmente envolvida de maneira circunstancial na trama, ela se torna uma aliada importante na tentativa de entender o que está acontecendo nos bastidores da indústria tecnológica.
A dinâmica entre os dois personagens funciona como um dos pontos de sustentação da narrativa. Em vez de apostar em uma trama romântica, a série constrói a relação a partir da colaboração e da desconfiança gradual, criando uma parceria baseada na necessidade de impedir que a tecnologia seja utilizada de forma irreversível.
Ritmo acelerado e suspense constante em Day One
Narrativamente, Day One adota um ritmo rápido. Cada episódio apresenta novos perigos, perseguições e descobertas, mantendo a sensação de urgência ao longo da temporada. Mortes, revelações e encontros inesperados surgem com frequência, garantindo que a trama avance sem grandes pausas.
Essa escolha torna a série dinâmica, mas também limita o aprofundamento de algumas ideias que poderiam ser exploradas com mais calma. O conceito central — uma tecnologia capaz de influenciar emoções humanas — abre espaço para discussões amplas sobre ética digital e manipulação de comportamento, temas que aparecem na narrativa, mas nem sempre recebem o desenvolvimento que sugerem.

Um thriller tecnológico familiar
Em termos de estrutura, Day One segue um caminho já conhecido dentro do gênero do thriller tecnológico. A trama envolve uma grande empresa disposta a ultrapassar limites éticos em nome da inovação, enquanto um grupo reduzido de personagens tenta impedir que essa tecnologia seja utilizada.
O antagonismo e os objetivos centrais da história tornam-se relativamente claros desde os primeiros episódios. Isso faz com que a série se concentre mais na tentativa de impedir o plano do que na revelação gradual de um mistério.
Ainda assim, a produção encontra interesse ao dialogar com debates atuais sobre inteligência artificial, coleta de dados e controle de informações. Em um mundo onde algoritmos já influenciam escolhas cotidianas, a ideia de um sistema capaz de manipular emoções humanas deixa de parecer apenas ficção.
Crítica da série: vale à pena maratonar Day One no Prime Video?
No balanço geral, Day One funciona como um thriller tecnológico eficiente, ainda que previsível em alguns momentos. A série não busca reinventar o gênero, mas oferece uma narrativa ágil sustentada por um elenco consistente e por um conceito que dialoga com preocupações contemporâneas.
A performance de Álex González ajuda a conduzir a trama ao apresentar um protagonista marcado por culpa e dúvidas, enquanto Alba Planas contribui para a construção de uma parceria central que mantém a investigação em movimento.
No fim, Day One se posiciona como uma produção voltada ao entretenimento direto: um suspense tecnológico que levanta questões sobre o futuro digital, mesmo sem explorar totalmente o potencial das ideias que apresenta.