O catálogo de romances do Prime Video ganhou mais um representante europeu com Da Toscana, com Amor, produção italiana dirigida por Laura Chiossone e baseada na obra de Felicia Kingsley. Ambientado nas paisagens rurais da Toscana, o longa aposta em uma combinação de romance, conflitos familiares e disputas por herança para construir uma narrativa que mira o público acostumado às comédias românticas de streaming. O resultado, porém, oscila entre o charme visual e uma previsibilidade que limita o impacto dramático da história.
A trama acompanha Elisa, interpretada por Matilde Gioli, uma mulher que trabalha há anos em uma propriedade agrícola na fictícia cidade de Belverde. Mãe solteira de uma adolescente, ela vive cercada por uma comunidade que insiste em transformá-la em protagonista de um romance que ela claramente não deseja viver. A rotina muda quando o proprietário da fazenda morre e os herdeiros Michele e Carlo chegam ao local dispostos a decidir o futuro das terras.
É nesse ponto que o filme abraça todos os elementos clássicos do gênero. Michele, vivido por Cristiano Caccamo, representa o empresário urbano que retorna ao interior com interesses financeiros, enquanto Carlo surge como a figura despreocupada usada para alimentar as tramas paralelas. A partir daí, o roteiro investe em encontros convenientes, tensões românticas previsíveis e reviravoltas construídas para empurrar Elisa rumo a um relacionamento inevitável.
O principal atrativo de Da Toscana, Com Amor está menos na narrativa e mais na atmosfera. A fotografia explora vinhedos, plantações e construções históricas da Toscana com enquadramentos que lembram campanhas turísticas italianas. Existe um esforço evidente em transformar Belverde em um espaço quase fantasioso, onde o romance parece surgir naturalmente em cada esquina. Em alguns momentos, o cenário funciona melhor que os próprios diálogos.
O problema é que o filme raramente consegue desenvolver conflitos que sustentem suas quase duas horas de duração. Muitas situações parecem artificiais, especialmente a discussão envolvendo a venda das terras para investidores estrangeiros interessados em construir um campo de golfe. O roteiro trata a questão de maneira superficial e cria soluções dramáticas pouco convincentes, reforçando a sensação de que os acontecimentos existem apenas para manter Elisa e Michele próximos.

Crítica: vale à pena assistir Da Toscana, com Amor no Prime Video?
As subtramas também contribuem para o excesso de conveniências. A relação de Giada com um homem casado e os dilemas amorosos da filha de Elisa surgem como tentativas de ampliar o universo emocional da narrativa, mas acabam diluindo ainda mais o foco principal. Mesmo assim, o elenco mantém o filme funcional. Matilde Gioli entrega uma protagonista carismática, enquanto o restante do elenco cumpre papéis que seguem o modelo tradicional das produções românticas contemporâneas.
No fim, Da Toscana, Com Amor funciona como um romance leve para o público que procura histórias previsíveis ambientadas em cenários europeus. A direção de Laura Chiossone aposta mais no conforto visual e no escapismo do que em desenvolver personagens complexos ou conflitos memoráveis. É um filme que encontra força na paisagem da Toscana, mas que dificilmente será lembrado além dela.