A Netflix abre 2026 mantendo uma tradição que já se tornou familiar para os assinantes: lançar no início do ano mais uma adaptação de um romance de Harlan Coben. A vez agora é de Custe o que Custar (Run Away), série britânica que aposta em um mistério de base simples, mas que rapidamente se desdobra em uma teia de segredos, suspeitas e conexões inesperadas — marca registrada do autor. Confira acrítica da série:
A trama de Run Away
A trama começa de forma fragmentada e inquietante, com uma cena de violência envolvendo uma jovem em um campus universitário. O prólogo funciona como um aviso do que está por vir, ainda que o contexto só faça sentido mais adiante. Um ano depois, a narrativa se estabiliza no cotidiano de Simon Greene (James Nesbitt), um homem comum que tenta manter alguma normalidade enquanto convive com o desaparecimento da filha mais velha, Paige (Ellie De Lange), há seis meses. Ela fugiu de casa após se envolver com drogas e pequenos crimes ao lado do namorado, Aaron Corval (Thomas Flynn).
A busca de Simon por Paige é o eixo central da série. Quando ele finalmente a encontra tocando música nas ruas, a situação foge do controle. Paige foge novamente, Aaron surge para confrontá-lo, e a agressão sofrida por Simon acaba registrada em vídeo e viraliza. Pouco depois, Aaron é encontrado morto, transformando o pai desesperado no principal suspeito de um assassinato que ele jura não ter cometido.
A investigação policial conduzida pelos detetives Isaac Fagbenle (Alfred Enoch) e Ruby Todd (Amy Gledhill) corre em paralelo à busca particular de Simon e de sua esposa, Ingrid (Minnie Driver), uma pediatra que decide se envolver ativamente na tentativa de encontrar a filha. Ao mesmo tempo, a série apresenta outras frentes narrativas: uma detetive particular seguindo pistas aparentemente desconexas, um empresário em busca do próprio filho desaparecido e personagens secundários que ganham destaque rápido, mesmo sem ter suas funções totalmente esclarecidas no início.
Escrita por Danny Brocklehurst, Custe o que Custar segue a estrutura já conhecida das adaptações de Harlan Coben na Netflix, como Fool Me Once e Missing You. O primeiro episódio lança uma quantidade elevada de personagens e subtramas, o que pode causar certa confusão inicial. Ainda assim, a experiência com produções anteriores indica que nada está ali por acaso, e que as peças tendem a se encaixar conforme os episódios avançam.
James Nesbitt interpreta novamente um homem emocionalmente pressionado, papel que domina com naturalidade. Minnie Driver, por sua vez, começa em uma posição aparentemente secundária, mas rapidamente se revela mais relevante para a narrativa do que o esperado. Como é comum nesse tipo de thriller, praticamente todos os personagens guardam algum tipo de segredo, e a série se apoia justamente nessas revelações graduais para manter o interesse.

Há tentativas pontuais de humor, especialmente nas falas de um dos detetives, que nem sempre se integram bem ao tom da história. Ainda assim, o suspense se sustenta, impulsionado por reviravoltas frequentes e pela sensação constante de que o público sabe apenas parte da verdade.
Crítica: vale à pena assistir a série Custe o que Custar na Netflix?
No fim das contas, Custe o que Custar (Run Away) não reinventa o modelo das adaptações de Harlan Coben, mas entrega exatamente o que promete: um thriller eficiente, com ritmo de maratona, conflitos familiares no centro da narrativa e mistérios que se acumulam episódio após episódio. Pode não ser uma série que permaneça na memória por muito tempo, mas funciona bem como entretenimento imediato para quem busca suspense e conspirações em doses generosas.