Lançado em 2001, Coração de Cavaleiro (A Knight’s Tale) voltou a ganhar destaque no catálogo da HBO Max, impulsionado pela curiosa semelhança de tom, ambientação e espírito aventureiro com a série O Cavaleiro dos Sete Reinos. Dirigido e roteirizado por Brian Helgeland, o filme estrelado pelo saudoso Heath Ledger propõe uma releitura livre e bem-humorada do imaginário medieval, apostando mais em carisma e diversão do que em rigor histórico.
A trama acompanha William Thatcher, um jovem escudeiro de origem humilde que decide assumir a identidade de um cavaleiro após a morte de seu senhor. A partir daí, o personagem passa a disputar torneios de justa enquanto tenta sustentar a farsa que o coloca em um mundo reservado apenas à nobreza. A narrativa é simples e direta, mas encontra força no ritmo ágil e na relação entre os personagens que acompanham William em sua jornada.
Heath Ledger constrói um protagonista carismático e acessível, sustentando o filme com naturalidade. Antes de papéis mais densos que marcariam sua carreira, William Thatcher se tornou um de seus personagens mais lembrados justamente por unir ingenuidade, ambição e senso de justiça. Ao seu redor, o elenco de apoio funciona como um conjunto bem entrosado, com destaque para Paul Bettany como Chaucer, responsável por boa parte do humor verbal do longa, e Rufus Sewell no papel do antagonista Conde Adhemar.
Um dos elementos mais comentados de Coração de Cavaleiro é sua trilha sonora deliberadamente anacrônica. Canções como “We Will Rock You”, da banda Queen, e “Golden Years”, de David Bowie, surgem em cenas de torneios e festas medievais, criando um contraste que, longe de afastar o espectador, estabelece uma ponte imediata com o público contemporâneo. A proposta não é realismo, mas identificação emocional, algo que o filme assume desde os primeiros minutos.
As sequências de justa são filmadas com atenção ao espetáculo visual, usando enquadramentos fechados e edição dinâmica para transmitir impacto e velocidade. Embora não se aprofundem em questões técnicas ou históricas, cumprem bem seu papel dentro da narrativa, funcionando como pontos de virada na trajetória do protagonista. O roteiro intercala essas competições com a ameaça constante de que a verdadeira origem de William seja revelada, mantendo um conflito simples, porém eficiente.
O romance com Jocelyn, interpretada por Shannyn Sossamon, serve como motor emocional da história. Ainda que siga convenções conhecidas do gênero, o relacionamento ajuda a reforçar os temas centrais do filme: identidade, honra e a possibilidade de desafiar estruturas sociais rígidas.

Crítica: vale à pena assistir (ou rever) Coração de Cavaleiro na HBO Max?
Ao revisitar Coração de Cavaleiro, fica claro por que o filme mantém apelo mais de duas décadas depois. Sua combinação de aventura, humor e espírito otimista dialoga diretamente com produções recentes ambientadas em mundos medievais, mas com linguagem moderna. Sem pretensão de ser um épico histórico, o longa de Brian Helgeland se sustenta como uma obra acessível, marcada pelo carisma de Heath Ledger e por uma abordagem que prioriza entretenimento e conexão com o público.