A série Cidade das Estrelas (Star City), novo derivado do universo de For All Mankind, inicia sua trajetória com o episódio “Os Olhos”, um capítulo que apresenta uma perspectiva inédita da corrida espacial. Em vez de acompanhar os Estados Unidos, a produção coloca a União Soviética no centro da narrativa e mostra os custos humanos, políticos e ideológicos por trás de uma das maiores disputas do século XX. Confira a crítica e resumo da estreia do AppleTV+.
A estreia estabelece rapidamente o tom da série: uma combinação de drama político, espionagem e exploração espacial ambientada em uma linha do tempo alternativa na qual os soviéticos chegaram primeiro à Lua.
O triunfo soviético muda a história
O episódio 1 começa em clima de tensão. Sob ordens de Lyudmilla, agentes do Estado retiram uma jovem de sua casa e a levam para um centro de operações espaciais. Lá, ela presencia um momento histórico: o cosmonauta Alexei Leonov se torna o primeiro homem a caminhar na Lua.
O feito transforma Leonov em herói nacional e fortalece ainda mais a posição do misterioso Projetista-Chefe, responsável por liderar o programa espacial soviético. Enquanto o país celebra a conquista, o cientista já pensa nos próximos objetivos. Seu desejo é usar a Lua como ponto de partida para futuras missões rumo a Vênus e Marte, mas as autoridades soviéticas parecem mais interessadas no valor político imediato da vitória.
Essa divergência evidencia um dos principais conflitos da série: a constante disputa entre avanço científico e interesses do Estado.
Um possível infiltrado ameaça o programa espacial de Cidade das Estrelas
A situação se complica quando surgem informações indicando que os americanos tiveram acesso aos projetos de uma futura base lunar soviética. Como os documentos estavam protegidos, a conclusão é inevitável: existe um informante trabalhando dentro de Star City.
A descoberta gera um clima de paranoia que se espalha pelos corredores do programa espacial. A busca pelo possível traidor passa a influenciar decisões importantes e coloca vários personagens sob suspeita. O mistério é introduzido logo no primeiro episódio e promete ser uma das principais linhas narrativas da temporada.
Yana se torna alvo do sistema
Enquanto a investigação avança, o programa espacial concentra seus esforços na escolha da primeira mulher que viajará à Lua.
Entre todas as candidatas, Yana surge como a favorita. Talentosa, disciplinada e respeitada pelos colegas, ela demonstra superioridade durante os treinamentos e parece ser a escolha natural para liderar a missão.
No entanto, seu futuro muda drasticamente quando surgem acusações relacionadas ao irmão Ivan. Funcionários do governo descobrem que ele teria ligações com uma publicação clandestina crítica ao regime soviético.
Mesmo sem provas definitivas de envolvimento político, Yana passa a ser tratada como ameaça à segurança nacional. Uma gravação obtida sob tortura é usada para justificar sua retirada do programa. O Projetista-Chefe se opõe à decisão, mas Moscou já escolheu sua substituta: Anastasia Belikova.

Irina Morozova entra no centro da história
Outro personagem fundamental apresentado na estreia é Irina Morozova. Recém-chegada ao departamento de monitoramento, ela trabalha ouvindo gravações captadas por dispositivos instalados secretamente nos apartamentos dos cosmonautas. Sua função é identificar qualquer comportamento considerado inadequado pelo Estado.
Inicialmente, Irina parece apenas mais uma funcionária cumprindo ordens. Porém, sua percepção sobre o sistema começa a mudar quando ela passa a investigar o caso de Yana.
Ao ouvir conversas entre cosmonautas, Irina descobre uma informação que contradiz a versão oficial. Segundo os relatos, Yana não mantinha contato com a família havia muitos anos, tornando improvável qualquer colaboração com o irmão supostamente envolvido em atividades dissidentes.
Determinada a encontrar respostas, ela aprofunda a investigação e chega a uma descoberta ainda mais surpreendente: Ivan morreu quando ainda era criança. A revelação indica que toda a acusação contra Yana foi construída sobre uma mentira.
A brutalidade do regime soviético em Cidade das Estrelas
A descoberta coloca Irina em rota de colisão com o sistema que ela serve. Antes que consiga apresentar as novas evidências, ela é convocada por Lyudmilla. Durante a conversa, fica claro que a organização já conhece seus movimentos e monitora cada passo de seus funcionários.
Em uma das sequências mais impactantes do episódio, Irina é levada para participar da execução de Yana. A jovem recebe a arma e a ordem para puxar o gatilho.
O momento representa uma ruptura definitiva em sua visão sobre o Estado soviético. Incapaz de cumprir a ordem, Irina hesita. Lyudmilla então assume o controle da situação e executa Yana sem demonstrar qualquer remorso.
A cena reforça a atmosfera de medo e controle que domina Star City e ajuda a definir os desafios morais que Irina enfrentará ao longo da temporada.

Uma missão histórica quase termina em desastre
Enquanto isso, a missão lunar segue em andamento. Anastasia Belikova assume o lugar de Yana e embarca rumo ao satélite natural da Terra. Durante a operação, um problema em seu traje espacial ameaça comprometer toda a missão.
Com níveis perigosos de dióxido de carbono acumulando-se dentro do equipamento, a cosmonauta corre risco de morte. A solução surge graças à intervenção de Sergei, um engenheiro que sugere uma alternativa improvisada para aliviar a pressão do traje.
A estratégia funciona e Anastasia consegue chegar ao módulo lunar a tempo. Quando finalmente pisa na Lua, ela inicia o discurso preparado pelo governo soviético. Porém, diante da magnitude do momento, abandona o texto oficial e decide improvisar.
Sua fala toma um rumo inesperado ao mencionar Yana como uma patriota soviética. O comentário gera pânico entre as autoridades, já que Yana havia acabado de ser executada sob acusações de traição. O áudio é interrompido imediatamente, mas a declaração já havia sido transmitida.

Crítica do episódio 1 de Cidade das Estrelas
Uma estreia promissora para o universo de For All Mankind
“Os Olhos” consegue cumprir duas funções importantes. A primeira é expandir o universo de For All Mankind sob uma nova perspectiva. A segunda é estabelecer sua própria identidade como drama político e histórico.
A série Cidade das Estrelas demonstra interesse não apenas pelas conquistas espaciais, mas também pelas estruturas de poder que sustentam essas realizações. O resultado é uma narrativa que combina espionagem, conflitos ideológicos e dilemas pessoais.
Entre os destaques da estreia está Irina Morozova, cuja trajetória parece destinada a revelar os bastidores mais obscuros do programa espacial soviético. Seu envolvimento no caso de Yana cria um mistério que deve impulsionar boa parte da temporada.
A produção também acerta ao apresentar uma União Soviética marcada por vigilância constante, disputas internas e sacrifícios humanos em nome da propaganda estatal.
Se o episódio inicial serve como indicação do que está por vir, Cidade das Estrelas tem potencial para atrair tanto os fãs de For All Mankind quanto espectadores interessados em histórias de conspiração, política e exploração espacial. A estreia deixa perguntas importantes em aberto e estabelece uma base sólida para os próximos capítulos.