Lançado em 2015, Chappie é um filme de ficção científica dirigido por Neill Blomkamp, responsável por Distrito 9 e Elysium. A produção voltou a chamar atenção ao aparecer entre os títulos mais assistidos da HBO Max, reacendendo o interesse por uma história que combina inteligência artificial, criminalidade, tecnologia e questionamentos sobre a natureza humana.
O filme acompanha Deon Wilson (Dev Patel), um engenheiro da empresa Tetravaal que desenvolve os robôs policiais conhecidos como Scouts. Seu objetivo, porém, é ir além das máquinas programadas para obedecer ordens: Deon acredita que pode criar uma inteligência artificial capaz de aprender e desenvolver consciência própria.
Quando tem acesso a um robô danificado que seria descartado, ele instala seu novo sistema. O resultado é Chappie (Sharlto Copley), uma máquina que começa a aprender como uma criança, descobrindo linguagem, emoções, comportamento e as consequências de suas escolhas.
O problema é que Chappie não cresce em um ambiente controlado. Ele acaba nas mãos de criminosos interpretados por Ninja, Yolandi Visser e José Pablo Cantillo, que pretendem usar o robô em seus planos. A situação cria um dos conceitos mais interessantes do filme: Chappie passa a receber influências completamente diferentes, aprendendo tanto valores associados à família quanto comportamentos ligados à violência e ao crime.
Chappie tem boas ideias, mas não consegue desenvolvê-las
O grande mérito de Chappie está justamente nas perguntas que levanta. O robô pode compreender a própria mortalidade? Uma inteligência artificial pode sentir culpa? Até que ponto a personalidade de alguém é determinada pelo ambiente em que cresce? E o que acontece quando uma consciência artificial aprende valores contraditórios?
Blomkamp apresenta essas questões por meio de uma estrutura que mistura ficção científica, ação e elementos de comédia. Em alguns momentos, a abordagem funciona. Chappie se comporta como uma criança tentando compreender o mundo, e sua evolução oferece cenas capazes de provocar reflexão.

O problema é que praticamente nenhuma dessas ideias recebe desenvolvimento suficiente. O roteiro introduz conceitos potencialmente complexos e rapidamente abandona alguns deles para avançar para outra situação. O resultado é uma narrativa irregular, que parece conter material para diferentes filmes dentro de uma única produção.
Hugh Jackman e um vilão pouco convincente
Outro ponto problemático é Vincent Moore, personagem de Hugh Jackman. Engenheiro rival de Deon, ele defende uma máquina de combate chamada Moose, projetada para ser muito mais poderosa do que os robôs policiais convencionais.
A atuação de Jackman aposta em um personagem exagerado, mas o roteiro não oferece uma motivação suficientemente sólida para justificar sua transformação em ameaça central. Suas ações também criam diversos questionamentos sobre a lógica interna da história.

Vale a pena assistir a Chappie?
Chappie está longe de ser um filme de ficção científica perfeitamente resolvido. A produção possui conceitos interessantes sobre inteligência artificial, consciência e influência social, mas sua execução é prejudicada por mudanças bruscas de tom, personagens inconsistentes e problemas de roteiro.
Ainda assim, existe valor na ambição do filme. Quando concentra sua atenção no processo de aprendizado de Chappie, a produção encontra seu melhor material e consegue apresentar reflexões que vão além da tradicional disputa entre humanos e máquinas.
No fim, Chappie é mais interessante pelas perguntas que faz do que pelas respostas que oferece. Para quem gosta de ficção científica envolvendo inteligência artificial, continua sendo uma obra capaz de gerar discussão, mesmo com suas limitações narrativas.
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