Opinanerd

Capitão América e sua Guerra Civil

Charles Luis Castro

25 nov, 2015

Depois de muita espera - mas muita mesmo - finalmente a Marvel divulgou o primeiro teaser trailer oficial de Capitão América: Guerra Civil. A reação foi incrivelmente dividida, como se dois times surgissem para honrar a treta que surgiu nos quadrinhos e vai ganhar vida na tela. De um lado temos aqueles que ficaram mais do que satisfeitos com o que foi divulgado. E aqueles que não viram nada demais. Mas agora não tem para onde correr, estamos oficialmente em guerra.

“Após outro incidente envolvendo os Vingadores, resultar em danos colaterais, aumenta a pressão política para instalar um sistema de responsabilização, comandado por uma agência do governo para supervisionar e dirigir a equipe. O novo status quo divide os Vingadores, resultando em duas frentes – uma liderada por Steve Rogers e seu desejo de que os Vingadores se mantenham livres para defender a humanidade sem a interferência do governo, e a outra que segue a surpreendente decisão de Tony Stark de apoiar a responsabilização e supervisão do governo”.

Outro incidente envolvendo os Vingadores é o que diz a sinopse oficial do filme. Se formos puxar desde Vingadores 1, é possível sacar que uma parte da população não curtiu ser salva pela turma do Capitão América e do Homem de Ferro. Como de costume em obras do tipo, a galera atribuiu toda a destruição e mortes(?) não apenas aos aliens, mas aos heróis também. A SHIELD resolveu crescer o olho para cima da equipe, buscando de todas as maneiras mantê-los vigiados. Mas a aceitação diante da massa foi positiva. Logo boa parte da cidade de Nova York, aparentemente, esqueceu do ocorrido.

Um salto no tempo e Os Vingadores estão trocando socos com o Ultron ao redor do mundo. Hulk e Homem de Ferro detonam uma cidade. Depois voltam para destruir uma cidade voadora. Propriedades privadas e públicas vão pro saco. Pessoas morrem. Não existe mais uma desculpa razoável que faça o mundo enxergar os Heróis mais Poderosos da Terra com bons olhos. Temos a divisão na equipe principal e o nascimento dos Novos Vingadores. Mas enquanto todo mundo comemorava a cena pós-créditos com o Thanos e a Manopla do Infinito, as consequências dos atos dos Vingadores e principalmente a reação dos governos mundiais quanto a isso não fica tão clara. Pelo menos era assim até o lançamento do teaser trailer de Guerra Civil.

Quando o General Ross (achou que O Incrível Hulk não tinha deixado legado no MCU né?) aparece para mostrar o Sokovia Accords e afirmar que Steve Rogers agiu por muito tempo sem nenhuma supervisão é que temos noção do tamanho do problema que a treta em Sokovia virou. E claro que o Capitão América não curtiu nada essas ameaças que pretendem tomar sua liberdade.

Existe um forte teor político em Guerra Civil. E pelo trailer é possível perceber que o longa também vai beber da fonte. Isso é fruto das mentes dos Irmãos Russo, diretores de Capitão América: O Soldado Invernal, um dos responsáveis diretos pelo atual cenário que o personagem se encontra. Longe da grandiosidade do primeiro trailer de Vingadores: Era de Ultron, a prévia mostra que uma guerra pode sim ser travada, em parte, nas sombras. Onde homens de terno e gravata são mais poderosos que um escudo indestrutível ou uma super armadura.

Mas além disso tudo, Guerra Civil é um filme sobre amadurecimento. Steve Rogers possuía um peso enorme para os EUA em O Primeiro Vingador. Ele era um símbolo de esperança e paz, além é claro de uma figura poderosa. Já em O Soldado Invernal vemos Steve se tornar uma peça obsoleta diante do atual cenário das guerras e espionagens cada vez mais tecnológicas. O Capitão era uma lembrança de um mundo onde as coisas não eram assim tão cinzas. Indo contra o sistema e o derrotando, ele acabou colocando um alvo em suas costas. E agora todas as armas do mundo estão apontadas para ele, já que decidiu ajudar um terrorista procurado por décadas.

Um dos motivos de reclamação do público é de que "a Guerra Civil só vai acontecer porque mexeram com o BFF do Capitão". Errou, errou feio, errou rude. Bucky, quando controlado pela HYDRA, matou centenas de pessoas ao passar das décadas. Mais do que um pivô, ele é um grande laranja. Tendo sua presença revelada para o mundo, agora ele pode ser usado como culpado por qualquer ataque terrorista. E ter o grande líder dos Vingadores ao seu lado, é o motivo que o governo americano precisava para impôr seu lei de contenção, por assim dizer.

Mesmo sendo em essência um novo filme do Capitão América, temos o Homem de Ferro como coadjuvante de luxo. Sim, nada mais do que um coadjuvante. Mas assim como o Steve, Tony Stark também mudou. “Se não aceitarmos limitações, seremos como os caras malvados” é o que ele diz. O homem que chegou a afirmar que privatizou a paz e deu seu endereço para um terrorista acabou evoluindo. Stark mostra aqui que ideais são consumidos com o passar do tempo e que para se alcançar um objetivo é preciso tomar decisões questionáveis. É aquele velho papo sobre o mundo preto e branco ou completamente coberto de cinza. No fim, Tony Stark não é tão vazio quanto muitos pensavam. E a profundidade existente pode ser essencial para o andamento do que veremos na telona.

Aliás, o mundo real também encontra-se diante de uma bagunça enorme pela óptica política. ISIS, Rússia, Síria, EUA e muitos outros países e situações. De repente Guerra Civil consegue conversar mais do que o esperado com o que estamos passando agora. E quando um filme consegue ser atual em suas abordagens, podemos esperar uma qualidade acima da média.

Enquanto assistia o trailer, fui lembrando de Civil War do Guns N' Roses (uma coisa leva a outra) e percebi que esse trecho seria um baita de uma diálogo entre o Capitão América e o Homem de Ferro: "Look at the hate we're breeding/Look at the fear we're feeding/Look at the lives we're leading/The way we've always done before". Mas "às vezes quero dar um soco nesses seus dentes perfeitos" também é uma boa frase.

Muita coisa ficou de fora desse primeiro vídeo, como por exemplo, o vilão do filme e alguns outros personagens. Enquanto falta o Homem-Aranha, temos o Pantera Negra trocando uns chutes com o Soldado Invernal e apostando corrida com o Capitão América. Fica a esperança de que a Marvel tenha aprendido com Vingadores: Era de Ultron. Veremos se um raio cai duas vezes no mesmo lugar.

Capitão América: Guerra Civil chega aos cinemas nacionais em 28 de abril do ano que vem. Até lá é melhor procurar entender que o que realmente importa não são os socos trocados pelos personagens, mas sim que existe por trás disso tudo.

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