A Parte 1 da 4ª temporada de Bridgerton acaba de estrear na Netflix e confirma uma escolha que já vinha dividindo o público: a fragmentação da narrativa em duas metades. Mesmo com o retorno do universo romântico criado por Shonda Rhimes e a expectativa em torno do protagonismo de Benedict Bridgerton, a sensação inicial é de que a série enfrenta dificuldades para equilibrar charme, desenvolvimento dramático e ritmo narrativo.
Após concluir os arcos de Daphne, Anthony, Colin e Penelope, a nova temporada volta suas atenções para Benedict, personagem que sempre transitou entre o alívio cômico e a inquietação artística. A trama central apresenta Sophie Baek, jovem que ocupa uma posição marginal dentro da alta sociedade e cuja trajetória remete diretamente ao arquétipo da Cinderela. A história se inicia em um tradicional baile de máscaras, evento que funciona como catalisador do romance e estabelece o principal conflito emocional da temporada.
O encontro entre Sophie e Benedict segue um caminho previsível, mas eficaz. A identidade oculta, o desencontro posterior e a obsessão romântica do protagonista constroem uma dinâmica que sustenta os primeiros episódios. Ainda assim, o formato dividido compromete o impacto do arco, já que o público acompanha apenas parte da jornada emocional do casal, sem uma resolução satisfatória nesta primeira leva de capítulos.
O maior acerto da temporada está no elenco. Yerin Ha se integra com naturalidade ao universo de Bridgerton e sustenta sua personagem tanto nos momentos de vulnerabilidade quanto nos de confronto. Luke Thompson, por sua vez, oferece uma versão mais contida e introspectiva de Benedict, destacando nuances que antes ficavam em segundo plano. A química entre os dois é evidente e funciona como principal motor dramático da temporada.
As tramas paralelas, no entanto, apresentam um rendimento irregular. Arcos envolvendo Lady Danbury, Francesca, Eloise e Violet surgem como tentativas de manter o conjunto da família Bridgerton em evidência, mas muitas dessas histórias carecem de maior peso dramático. A introdução da personagem interpretada por Katie Leung adiciona um elemento de antagonismo interessante, embora sua participação ainda pareça subaproveitada nesta primeira parte.

Crítica da série: vale à pena assistir a 4ª temporada de Bridgerton na Netflix?
Do ponto de vista técnico, a série mantém seus padrões. A trilha sonora com versões orquestrais de músicas pop segue como marca registrada, ainda que nem todas as escolhas tenham o mesmo impacto. Os figurinos continuam sendo um dos destaques da produção, especialmente no contraste entre os trajes da alta sociedade e o vestuário de Sophie, que reforça visualmente sua posição social.
Mesmo com ressalvas, a Parte 1 da 4ª temporada de Bridgerton consegue manter o interesse graças à força de seu casal central. O problema está menos na história em si e mais na decisão de interrompê-la no meio do caminho. A expectativa agora recai sobre a Parte 2, que chega à Netflix em 26 de fevereiro, com a responsabilidade de aprofundar conflitos e oferecer uma conclusão à altura. Por enquanto, a nova fase entrega um romance funcional, mas ainda incompleto.