Beijar é a Parte Fácil, destaque recente da Netflix, parte de uma premissa conhecida das comédias românticas adolescentes. Sean (Asher Angel), um dos melhores alunos do colégio, aceita ajudar Flora (Paris Berelc), uma estudante rebelde com dificuldades acadêmicas, em troca de uma carta de recomendação para a universidade. O problema é que a convivência entre os dois rapidamente deixa de ser apenas uma parceria escolar.
Uma comédia romântica que funciona melhor do que parece
A princípio, Beijar é a Parte Fácil parece seguir uma fórmula bastante familiar, mas a direção de Fawzia Mirza consegue encontrar alguns caminhos próprios dentro desse modelo. O filme não tenta reinventar o gênero, mas demonstra cuidado com seus personagens centrais e evita transformar Sean em apenas mais um estereótipo do adolescente perfeito.
Asher Angel é uma das surpresas positivas. Sean combina características que normalmente aparecem separadas nesse tipo de produção: ele é inteligente e interessado em estudos, mas também possui uma personalidade mais descontraída. O resultado é um protagonista que transmite maior naturalidade.
Paris Berelc também entrega uma atuação competente como Flora, embora a personagem se aproxime de tipos que a atriz já interpretou anteriormente. A química entre os protagonistas, porém, sustenta boa parte da narrativa e faz com que o romance seja convincente.

Bons personagens, mas um roteiro pouco desenvolvido
O filme encontra seus melhores momentos quando se concentra nas relações familiares. A mãe e a irmã de Sean, por exemplo, ganham uma caracterização mais interessante, mesmo aparecendo menos do que os protagonistas.
O problema está justamente no que o roteiro de Rebecca Webb decide não aprofundar. Algumas ideias promissoras são apresentadas e posteriormente abandonadas. A transformação física de Sean antes do último ano escolar é um exemplo: o longa sugere questões relacionadas à pressão social e à própria imagem, mas não dedica tempo suficiente para explorar suas consequências.
O mesmo acontece com Flora e sua relação com os pais. Ela afirma se sentir sozinha apesar da presença deles, indicando um conflito emocional que poderia acrescentar bastante à personagem. Essa questão volta a ganhar importância perto do final, mas o filme não constrói o caminho necessário para que o momento tenha todo o impacto que poderia.

Direção e visual ajudam o resultado
Visualmente, Beijar é a Parte Fácil é um trabalho competente. As sequências ambientadas próximas ao mar são especialmente bonitas e ajudam a criar uma atmosfera mais leve para a história. A trilha sonora cumpre sua função, embora não seja um dos grandes destaques da produção.
No fim, o filme funciona justamente por não tentar ser mais do que precisa. Há uma história romântica previsível, personagens que poderiam ser melhor desenvolvidos e algumas oportunidades desperdiçadas pelo roteiro. Ainda assim, o elenco principal e a direção de Fawzia Mirza tornam a experiência mais agradável do que a premissa inicial poderia sugerir.
Beijar é a Parte Fácil está longe de ser uma comédia romântica revolucionária, mas entrega um filme confortável, simpático e capaz de agradar quem procura uma história adolescente leve. Com um roteiro mais disposto a explorar seus próprios conflitos, poderia ter alcançado um resultado consideravelmente melhor.