Lançado em 2024, Apocalipse Z: O Princípio do Fim é uma produção espanhola que resgata elementos clássicos do cinema de zumbis para contar uma história de sobrevivência em meio a uma epidemia devastadora. Dirigido por Carles Torrens e disponível no Prime Video, o longa adapta o universo literário criado por Manel Loureiro e aposta em uma abordagem que combina terror, drama e ação.
Estrelado por Francisco Ortiz, o filme acompanha um protagonista comum que precisa aprender a sobreviver em um mundo tomado por infectados. Embora não apresente grandes novidades para o gênero, a produção encontra seus melhores momentos justamente quando deixa os confrontos em segundo plano para explorar o isolamento e as dificuldades cotidianas de quem enfrenta o fim da civilização.
Uma história de zumbis que aposta no realismo
A trama acompanha Manel, um advogado galego que vive isolado após a morte da esposa. Sua única companhia é Lúculo, um gato que acaba se tornando parte fundamental de sua rotina. Enquanto tenta reconstruir a própria vida, uma epidemia viral começa a se espalhar pela Europa, provocando o colapso das estruturas sociais.
Com a situação fora de controle, o governo espanhol organiza a evacuação da população para as Ilhas Canárias. Manel, porém, decide não participar da operação e acaba sozinho em uma cidade dominada por pessoas infectadas, que se transformaram em criaturas violentas e canibais.
Um dos maiores acertos de Apocalipse Z: O Princípio do Fim está na maneira como apresenta os primeiros dias da epidemia. Em vez de começar diretamente com grandes batalhas contra zumbis, o roteiro acompanha a desorganização dos serviços públicos, o esvaziamento dos supermercados, os congestionamentos e o pânico coletivo.
Esses acontecimentos lembram experiências reais de isolamento e crise sanitária, ajudando a tornar o cenário mais próximo do espectador. Os momentos em que Manel improvisa sistemas de segurança e procura tutoriais na internet para aprender a enfrentar os mortos-vivos também reforçam a proposta de acompanhar uma pessoa comum diante de uma situação extraordinária.

Francisco Ortiz sustenta a jornada de sobrevivência
A atuação de Francisco Ortiz é um dos principais pontos positivos. O ator consegue transmitir o desgaste psicológico de Manel sem transformá-lo em um herói de ação convencional. Mesmo quando suas interações se limitam ao gato e às telas de dispositivos eletrônicos, fica evidente o impacto do isolamento e da necessidade constante de encontrar maneiras de continuar vivo.
A narrativa, entretanto, perde parte de sua identidade quando o protagonista decide procurar a irmã nas Ilhas Canárias. A partir desse momento, o filme assume características mais tradicionais dos thrillers de zumbis, com novos sobreviventes, ameaças humanas e confrontos armados.
Os personagens secundários também poderiam receber mais desenvolvimento. Alguns funcionam apenas como sobreviventes que precisam de ajuda, enquanto outros representam antagonistas violentos e pouco aprofundados.

Apocalipse Z: O Princípio do Fim vale a pena?
A limitação orçamentária também aparece em algumas sequências, especialmente na representação da devastação provocada pela epidemia. A produção poderia explorar melhor a dimensão do desastre e apresentar hordas maiores de infectados.
Ainda assim, Carles Torrens entrega um filme competente, sustentado por uma boa atuação central e por uma primeira metade especialmente envolvente. A história não reinventa o gênero, mas encontra personalidade ao acompanhar a luta de um homem comum e seu gato em circunstâncias extremas.
Apocalipse Z: O Princípio do Fim é uma boa opção para quem gosta de filmes de zumbis e histórias de sobrevivência. Apesar de perder um pouco da força na segunda metade, o longa oferece entretenimento consistente e deixa espaço para a continuação da jornada apresentada nos livros de Manel Loureiro.