O novo filme do Prime Video, Amor Demais (Love Me, Love Me), aposta em um terreno conhecido do romance jovem adulto para contar uma história sobre perda, afeto e decisões que moldam identidades. Dirigido por Roger Kumble, o longa adapta o livro de Stefania Serafini a partir do roteiro de Veronica Galli e Serena Tateo, transportando o drama para um cenário italiano que dialoga diretamente com o estado emocional da protagonista.
A trama acompanha June, vivida por Mia Jenkins, uma jovem marcada pela morte recente do irmão. Em busca de recomeço, ela passa a estudar em uma escola internacional de elite em Milão, ambiente que reúne privilégios, expectativas e tensões típicas da juventude. Embora o entorno seja visualmente atraente, o filme deixa claro desde o início que o conflito central está menos nos espaços e mais nas escolhas internas da personagem.
É nesse contexto que June se aproxima de Will, interpretado por Luca Melucci. Ele representa estabilidade, previsibilidade e cuidado — características que funcionam como um apoio imediato para alguém em processo de luto. A relação entre os dois se constrói de forma gradual, baseada em escuta e compreensão, reforçando a ideia de um vínculo seguro em meio ao caos emocional da protagonista.
O equilíbrio, no entanto, é tensionado pela presença de James, papel de Pepe Barroso Silva. Melhor amigo de Will, James surge como o oposto: impulsivo, envolvido em lutas clandestinas e guiado por escolhas menos controladas. A dinâmica entre os três estrutura o conflito principal do filme, que utiliza o triângulo amoroso não apenas como motor romântico, mas como metáfora para caminhos possíveis de amadurecimento.
O roteiro acerta ao tratar esse dilema como algo além da simples escolha entre dois interesses amorosos. June não decide apenas com quem ficar, mas que tipo de vida — e de si mesma — está disposta a enfrentar após a perda. Ainda que o longa recorra a situações conhecidas do gênero, como encontros noturnos e diálogos carregados de expectativa, há um esforço visível para ancorar essas cenas em conflitos emocionais reconhecíveis.

No campo das atuações, Mia Jenkins sustenta o filme com uma interpretação contida, que prioriza silêncios e reações internas. Melucci constrói um Will distante do estereótipo raso do “par perfeito”, enquanto Barroso Silva imprime energia e vulnerabilidade a James, evitando que o personagem se reduza ao arquétipo do rebelde. O elenco de apoio contribui para dar ritmo e contexto social à narrativa, ampliando o universo da escola e da cidade.
A direção de Roger Kumble investe em enquadramentos que valorizam Milão como extensão do drama. Cafés, corredores e pátios ganham função narrativa, com destaque para a utilização da Villa Mondragone como cenário da escola, criando um contraste entre arquitetura histórica e conflitos contemporâneos. O ritmo, porém, oscila em alguns momentos, com repetições temáticas que diminuem o impacto de certas reviravoltas.
Crítica: vale à pena assistir Amor Demais no Prime Video?
Ainda assim, Amor Demais (Love Me, Love Me) encontra força na forma como articula romance e processo de cura. Ao final, o filme deixa claro que crescer envolve aceitar perdas, assumir riscos e compreender que nenhuma escolha vem sem consequências. Para o público que acompanha histórias de amadurecimento emocional, o longa entrega uma narrativa alinhada às expectativas do gênero, sem perder de vista questões universais ligadas ao afeto e à identidade.