A série mexicana Amor de Escritório (Amor de oficina ou Love from 9 to 5), recém-lançada pela Netflix, aposta em uma combinação conhecida do público: comédia romântica, rivalidade profissional e um ambiente corporativo marcado por disputas de poder. Dirigida por Nadia Ayala Tabachnik, a produção parte de um encontro casual para construir uma narrativa centrada em ambição, desejo e competição dentro de uma empresa do setor de moda íntima. Leia a crítica:
A trama da série mexicana
Logo na cena de abertura, a série estabelece o tom. Uma mulher acorda apressada após receber uma mensagem no celular. Pelos detalhes do figurino, fica claro que ela não está em casa. Essa mulher é Graciela (Ana González Bello), executiva dedicada que sai às pressas do apartamento de Mateo (Diego Franco Klein), um homem que ela conheceu na noite anterior em uma boate. O que parecia apenas uma aventura de uma noite rapidamente se transforma em um problema profissional quando Graciela percebe que deixou para trás seu crachá da empresa Sofintim.
Poucas horas depois, o acaso coloca os dois frente a frente novamente, agora no ambiente corporativo. Graciela chega ao trabalho confiante de que será promovida a CEO pelo atual presidente da empresa, Don Enrique (Alexis Ayala). A expectativa é quebrada quando ela descobre que o cargo ficará com Mateo, que além de ser um empresário bem-sucedido no setor hoteleiro, é filho de Enrique e está afastado do pai há anos. A surpresa cria uma tensão imediata, agravada pelo fato de os dois precisarem trabalhar juntos no desenvolvimento de um novo produto voltado para investidores estrangeiros.
A frustração profissional de Graciela se soma a conflitos pessoais. Seu ex-namorado, Pedro (Jerry Velázquez), é diretor de recursos humanos da empresa e ainda não superou o término. Enquanto isso, Mateo chega acompanhado de uma equipe pouco integrada à cultura da Sofintim e apresenta ideias que entram em choque com a visão mais tradicional de Graciela. O principal exemplo é o projeto de roupas íntimas perfumadas, inicialmente rejeitado por ela, mas apoiado por Don Enrique. A repercussão negativa do produto contrasta com o aumento nas vendas, levando o patriarca a anunciar que os dois disputarão oficialmente sua sucessão.
Nesse ponto, Amor de Escritório assume de vez sua estrutura clássica de comédia de ambiente de trabalho. A série investe na rivalidade profissional, enquanto explora a atração evidente entre os protagonistas, que já conhecem intimamente um ao outro. A dinâmica entre Ana González Bello e Diego Franco Klein sustenta os episódios iniciais, com diálogos que alternam provocações, disputas e momentos de proximidade.

A produção também amplia seu universo ao dar espaço às equipes que cercam os protagonistas. De um lado, o grupo de Mateo, formado por personagens mais mimados e deslocados. Do outro, a equipe de Graciela, composta por funcionários leais e motivados. Essa divisão permite o surgimento de tramas paralelas e evita que a narrativa fique restrita apenas ao casal central.
Crítica: vale à pena assistir Amor de Escritório na Netflix?
Sem grandes rupturas com o gênero, Amor de Escritório se aproxima de produções como Betty, a Feia, especialmente pelo cenário corporativo ligado à moda e pelas disputas internas de poder. O diferencial está no ponto de partida: o romance não é uma promessa futura, mas algo que já aconteceu e precisa ser administrado em meio à competição profissional.
Como comédia leve, a série cumpre o que propõe. Amor de Escritório entrega episódios ágeis, conflitos claros e personagens desenhados para sustentar situações cômicas recorrentes. Não reinventa o formato, mas encontra pequenas variações suficientes para manter o interesse, especialmente para quem busca uma produção descontraída no catálogo da Netflix.