Alma Em Chamas (Soul on Fire, 2025) Crítica do Filme inspirado numa história real Alma Em Chamas (Soul on Fire, 2025) Crítica do Filme inspirado numa história real

Alma Em Chamas (Soul on Fire, 2025) | Crítica do Filme

Alma em Chamas (Soul on Fire, 2025) se apoia na força de uma história real conhecida por seu impacto motivacional, mas também revela os limites de uma adaptação que busca equilibrar drama pessoal, fé e superação. Dirigido por Sean McNamara e roteirizado por Gregory Poirier, o filme reconstrói a trajetória de John O’Leary, interpretado por Joel Courtney na fase adulta, a partir de um episódio traumático vivido ainda na infância. Confira a crítica do filme:

Sobre o que Soul on Fire fala

A narrativa começa com o acidente que marca a vida de John aos nove anos. Uma explosão causada por fósforos e gasolina provoca um incêndio grave no porão de sua casa, deixando o menino com queimaduras extensas. Hospitalizado em estado crítico, ele recebe um prognóstico quase inexistente de sobrevivência. Nesse momento, o filme apresenta os pilares emocionais da história: os pais, Denny (John Corbett) e Susan (Stephanie Szostak), e o enfermeiro Roy (DeVon Franklin), que assume um papel central no incentivo à recuperação do garoto.

A direção opta por uma estrutura que alterna o período da internação com cenas da vida adulta de John, já como universitário no fim dos anos 1990. Esse recurso funciona inicialmente ao mostrar as consequências físicas e emocionais do trauma, além de estabelecer paralelos entre passado e presente. No entanto, conforme a trama avança, o excesso de núcleos e subtramas compromete a fluidez do relato. Situações ligadas à vida amorosa, à família e às inseguranças do protagonista surgem de forma fragmentada, exigindo atenção constante do espectador para manter a linha narrativa.

Um dos momentos centrais do filme envolve a participação de Jack Buck (William H. Macy), famoso narrador esportivo e ídolo de John. Sua visita ao hospital e a promessa de que o garoto sobreviveria funcionam como um ponto de virada simbólico na história. A presença de Buck reforça o tema da influência externa positiva, ainda que sua função dramática seja mais representativa do que desenvolvida em profundidade.

O roteiro de Gregory Poirier apresenta oscilações claras. Em alguns trechos, há dificuldade em criar uma conexão emocional consistente, especialmente em diálogos que deveriam carregar maior peso dramático. Determinadas cenas familiares soam artificiais, enquanto outras, voltadas ao público jovem, recorrem a humor pouco eficaz. Ainda assim, há momentos em que o elenco consegue sustentar o material, principalmente nas interações entre John e o pai, que dão mais densidade ao conflito emocional.

DeVon Franklin se destaca como Roy, o enfermeiro que acompanha John durante o período mais crítico. Sua atuação confere humanidade ao personagem e ajuda a reforçar a ideia de apoio contínuo como elemento fundamental da recuperação. William H. Macy, por sua vez, aparece de forma pontual, mas cumpre bem o papel simbólico que lhe cabe na narrativa.

Alma Em Chamas (Soul on Fire, 2025) Crítica do Filme inspirado numa história real

Crítica: vale à pena assistir Alma em Chamas?

Embora seja frequentemente divulgado como um filme de viés religioso, Alma em Chamas trata a fé de maneira sutil. A metáfora da graça e do amor incondicional está presente, mas não é plenamente explorada, o que pode frustrar parte do público que espera uma abordagem mais direta desse aspecto da vida real de John O’Leary.

No conjunto, Alma em Chamas não busca inovação estética ou reconhecimento crítico. Sua proposta é clara: apresentar uma história de perseverança baseada em fatos reais. Com falhas de ritmo e estrutura, mas sustentado por uma mensagem de resiliência, o filme funciona como um drama inspiracional voltado ao consumo casual, convidando o espectador a refletir sobre superação, empatia e propósito.