All Her Fault (2025) - Crítica, fatos e curiosidades da série do Prime Video All Her Fault (2025) - Crítica, fatos e curiosidades da série do Prime Video

All Her Fault (2025) | Crítica da Série | Prime Video

A série All Her Fault, disponível no Prime Video, parte de uma situação cotidiana para construir um suspense psicológico que se sustenta mais pelo comportamento dos personagens do que por grandes reviravoltas artificiais. Estrelada por Sarah Snook, Dakota Fanning e Michael Peña, a produção adapta o romance homônimo de Andrea Mara e aposta em tensão constante, desconfiança coletiva e conflitos morais para manter o espectador envolvido ao longo de seus oito episódios. Confira a nossa crítica da série.

A trama começa quando Marissa (Sarah Snook) chega à casa de uma colega para buscar o filho, Milo, após um encontro infantil. O problema é simples e devastador: a criança não está lá e, segundo Jenny (Dakota Fanning), anfitriã do evento, nunca esteve. A partir desse momento, a narrativa abandona qualquer sensação de segurança. O desaparecimento do menino funciona como ponto de ignição para uma investigação que expõe relações frágeis, decisões mal explicadas e segredos acumulados ao longo de anos.

O roteiro estrutura a história em dois tempos. Enquanto o presente acompanha a busca por Milo e o avanço da investigação policial liderada pelo detetive Alacaras (Michael Peña), flashbacks revelam episódios do passado que ajudam a contextualizar as tensões entre os personagens. Nem sempre, porém, essas cenas esclarecem os fatos. Em muitos casos, elas ampliam as dúvidas, reforçando a proposta da série de transformar o espectador em um observador desconfiado, obrigado a revisar constantemente suas próprias conclusões.

Esse jogo narrativo funciona porque All Her Fault evita apontar vilões óbvios. Marissa e o marido Peter (Jake Lacy), Jenny, outras mães, babás e familiares surgem como figuras moralmente ambíguas. Todos parecem ter algo a esconder, seja por culpa, omissão ou conveniência. A série constrói sua tensão ao sugerir que o problema não está em um ato isolado, mas em uma cadeia de escolhas equivocadas feitas ao longo do tempo.

Um dos eixos centrais da produção é a forma como a maternidade é retratada. Marissa e Jenny vivem sob constante julgamento, seja por parte dos parceiros, da comunidade escolar ou delas mesmas. A série expõe expectativas irreais impostas às mulheres, especialmente no equilíbrio entre carreira, vida social e criação dos filhos. Nesse contexto, pequenas cenas — como momentos de exaustão, silêncio ou frustração — dizem mais do que longos diálogos explicativos.

Outro tema recorrente é a chamada incompetência usada como estratégia. Em diferentes situações, personagens masculinos se colocam como disponíveis para ajudar, mas transferem a responsabilidade de decisão para as mulheres, reforçando uma sobrecarga emocional que atravessa toda a narrativa. Esses detalhes, embora sutis, ajudam a explicar ressentimentos e conflitos que emergem com força após a tragédia.

All Her Fault (2025) - Crítica, fatos e curiosidades da série do Prime Video

Crítica: vale à pena assistir a série All Her Fault no Prime Video?

Do ponto de vista técnico, All Her Fault aposta em atuações contidas e expressivas. Sarah Snook sustenta grande parte da carga emocional da série, enquanto Dakota Fanning constrói uma personagem que oscila entre apoio genuíno e ambiguidade. Michael Peña funciona como um contraponto mais racional, embora nem mesmo seu personagem ofereça respostas fáceis.

No conjunto, All Her Fault se consolida como um thriller que flerta com o drama policial, interessado menos em soluções rápidas e mais nas consequências emocionais do que acontece quando a confiança se rompe. Ao final, a série sugere que tragédias raramente são causadas por um único erro — elas costumam ser o resultado de muitos “porquês” mal resolvidos.