Ah, A Amizade... (2026) - Crítica, Fatos e Curiosidades do filme Netflix Ah, A Amizade... (2026) - Crítica, Fatos e Curiosidades do filme Netflix

Ah, A Amizade… (2026) | Crítica do Filme | Netflix

Entre os títulos mais assistidos da Netflix no momento, Ah, A Amizade… (Yoh! Bestie, 2026) chama atenção por abordar um tema recorrente das comédias românticas — a linha tênue entre amizade e amor — a partir de uma perspectiva pouco explorada pelo cinema mainstream. Produzido na África do Sul e dirigido por Johnny Barbuzano, o filme se diferencia menos pela premissa e mais pela forma como constrói seus personagens e seus conflitos emocionais. Leia a crítica.

A trama acompanha Thando, uma mulher na casa dos 30 anos que leva uma vida organizada em Joanesburgo, mas enfrenta um vazio afetivo após a mudança de seu melhor amigo, Charles, para Nova York. A relação entre os dois sempre funcionou como um ponto de equilíbrio, e a distância força Thando a encarar a solidão e a necessidade de reorganizar suas prioridades. Quando Charles retorna à África do Sul com a notícia de que está noivo, o filme passa a explorar os impactos dessa revelação não apenas no campo romântico, mas também no território da amizade.

O roteiro evita tratar Thando como uma protagonista ingênua ou emocionalmente dependente, algo comum no gênero. Ela compreende o que sente, reconhece seus limites e não transforma o conflito em uma disputa direta. Esse cuidado também se reflete na construção de Rea, a noiva de Charles, que foge completamente do arquétipo da antagonista. Em vez de rivalidade, o longa opta por mostrar mulheres com desejos, histórias e posturas diferentes diante da mesma situação, o que dá mais densidade ao drama.

Katlego Lebogang sustenta a narrativa com uma atuação segura, conduzindo o espectador pelos dilemas de Thando sem recorrer a exageros. Já Fikile Mthwalo imprime presença a Rea, personagem que contribui para tornar o conflito menos previsível. Charles funciona mais como catalisador das tensões do que como centro emocional da história, o que desloca o foco do romance tradicional para as relações que se constroem ao redor dele.

Visualmente, Ah, A Amizade… valoriza paisagens urbanas e litorâneas da África do Sul, reforçando a identidade local da produção. O uso alternado entre inglês e zulu acrescenta naturalidade aos diálogos e imprime ritmo próprio às cenas, mesmo para quem depende das legendas. A trilha sonora, com músicas tradicionais e momentos de dança, complementa essa ambientação sem interferir no andamento da narrativa.

Crítica de Ah, A Amizade… | Vale à pena assistir ao filme na Netflix?

Embora utilize convenções típicas das comédias românticas — reencontros, mal-entendidos e gestos simbólicos —, o filme demonstra consciência desses elementos e busca subvertê-los sempre que possível. O resultado é uma obra leve, mas atenta às nuances emocionais de seus personagens, interessada mais em processos do que em soluções fáceis.

Ah, A Amizade… se mostra uma alternativa relevante para quem busca uma comédia romântica fora do circuito hollywoodiano, apostando em diálogos naturais, relações críveis e uma abordagem menos simplista sobre amor, amizade e escolhas afetivas.