A 2ª temporada de Agents of Mystery, reality show sul-coreano da Netflix, acaba de estrear na plataforma e reforça a proposta ambiciosa do formato: misturar investigação, jogos de escape, narrativa ficcional e desafios físicos em uma experiência que se aproxima mais de uma série roteirizada do que de um programa de variedades tradicional. Dividida em três grandes missões, a nova leva de episódios amplia a escala da produção, investe em cenários externos e aposta em histórias com forte apelo visual e dramático. Leia a crítica e resumo do que rolou nos episódios inéditos.
Mesmo para quem não acompanha regularmente realities coreanos, a temporada chama atenção pelo cuidado técnico e pelo nível de imersão. Os ambientes são construídos com atenção a detalhes, os arcos narrativos têm começo, meio e fim bem definidos, e os participantes são constantemente desafiados a reagir sob pressão. O resultado é um produto que se sustenta tanto pelo entretenimento quanto pela curiosidade em ver até onde o formato consegue ir.
Uma nova agente e um universo mais ambicioso em Agents of Mystery
Logo no início, a temporada apresenta Gabee como nova integrante do time, substituindo uma agente da temporada anterior. A chegada da participante é tratada dentro da própria narrativa, reforçando a sensação de continuidade do universo ficcional. Gabee se adapta rapidamente ao grupo, demonstra disposição para os desafios e contribui para a dinâmica coletiva, mesmo sendo alvo de brincadeiras constantes dos colegas.
A temporada é estruturada em três missões, uma a mais que a anterior, sinalizando a evolução do projeto. Cada arco apresenta um gênero distinto — ficção científica, sobrevivência e terror —, o que ajuda a evitar repetição e mantém o interesse ao longo dos episódios.
Sala Negra: ficção científica e quebra-cabeças sob pressão
A primeira missão, intitulada Sala Negra, introduz uma trama envolvendo uma organização secreta e a queda de um objeto não identificado na costa dos Estados Unidos. Embora a versão oficial fale em asteroide, a narrativa revela tratar-se de um OVNI, cujos dados foram ocultados por representarem risco à humanidade. Cabe aos agentes invadir a Sala Negra e deletar essas informações antes que caiam em mãos erradas.
O foco aqui está na resolução de enigmas complexos, muitos deles baseados em lógica, observação e trabalho em equipe. Em alguns momentos, o ritmo desacelera devido ao tempo que os participantes levam para decifrar os puzzles, mas isso faz parte da proposta do programa. Os desafios físicos, como uma sequência inspirada em jogos de dança, trazem mais dinamismo e rendem momentos de tensão e humor.
Dentro do grupo, Lee Hye-ri se destaca pela rapidez de raciocínio e pela confiança ao assumir a liderança em momentos decisivos. A missão termina com uma reviravolta narrativa que conecta esse arco aos seguintes, reforçando a sensação de que tudo faz parte de um mesmo universo.
Os Outros: sobrevivência no mundo real
A segunda missão, Os Outros, abandona parcialmente os estúdios e leva os agentes para ambientes externos, aumentando a sensação de risco e imprevisibilidade. O ponto de partida é uma loja de conveniência, onde pistas escondidas em objetos comuns conduzem a uma investigação envolvendo a empresa Edison Core e o desaparecimento de seu CEO.
Aqui, o tom muda: em vez de enigmas estáticos, a missão se aproxima de um jogo de sobrevivência. Os agentes precisam se deslocar constantemente, lidar com ameaças inesperadas e reagir a figuras que lembram zumbis, criadas a partir de uma arma biológica fictícia. O suspense cresce à medida que o grupo descobre que o gás transforma vítimas em criaturas hostis, exigindo rapidez e coordenação para escapar.
Momentos de humor surgem naturalmente, seja nas reações exageradas de susto ou em pequenas falhas físicas durante as perseguições. A presença de referências musicais, incluindo canções do aespa e menções a Karina, adiciona uma camada pop à missão, ainda que pareça mais um aceno ao público do que um elemento essencial da narrativa.
O Reservatório Amaldiçoado: terror e encerramento emocional
A missão final, O Reservatório Amaldiçoado, adota completamente o gênero do terror. A história gira em torno de uma vila assombrada por uma tragédia antiga: a morte de uma criança afogada e a maldição lançada por sua mãe. Para resolver o caso, os agentes precisam ajudar os espíritos a encontrarem descanso, passando por casas abandonadas, rituais xamânicos e ambientes marcados por símbolos sombrios.
Este arco se destaca pelo uso de atmosfera. Iluminação baixa, sons ambientes e cenários externos reforçam a sensação de ameaça constante. A narrativa avança de forma mais linear, mas exige atenção aos detalhes e cooperação entre os participantes para que o ritual final seja concluído corretamente.

O desfecho aposta em um tom mais emotivo. Ao reunir mãe e filho e encerrar a maldição, os agentes demonstram envolvimento genuíno com a história, algo que raramente se vê em realities do gênero. O encerramento simboliza não apenas o sucesso da missão, mas também a consolidação do grupo como uma equipe capaz de enfrentar desafios variados.
Vale a pena assistir à 2ª temporada de Agents of Mystery?
A segunda temporada de Agents of Mystery mostra uma evolução clara em relação ao conceito inicial. As missões são mais elaboradas, a produção é mais ambiciosa e a variedade de gêneros ajuda a manter o interesse ao longo dos episódios. Mesmo com pequenas oscilações de ritmo, o conjunto funciona bem como entretenimento e como experimento narrativo.
Para quem gosta de programas de investigação, escape rooms ou histórias com forte componente visual, a temporada entrega uma experiência consistente. Ao final, o saldo é positivo: os agentes concluem todas as missões com sucesso, e o reality encerra sua segunda temporada com a sensação de dever cumprido — tanto dentro da narrativa quanto na execução do formato.