Agente Zeta (2026) Crítica do Filme de Ação do Prime Video Agente Zeta (2026) Crítica do Filme de Ação do Prime Video

Agente Zeta (2026) | Crítica do Filme de Ação | Prime Video

A aposta do Prime Video em expandir seu catálogo de produções de espionagem ganha um novo capítulo com Agente Zeta (2026), longa espanhol dirigido por Dani de la Torre e estrelado por Mario Casas. A produção tenta posicionar seu protagonista como um novo rosto dentro de um universo dominado por figuras como Jason Bourne e James Bond, mas esbarra em limitações narrativas que comprometem o resultado.

A trama parte de um ponto clássico do gênero: uma série de assassinatos de ex-agentes espanhóis espalhados pelo mundo. Para lidar com o caso, o agente Zeta é convocado a interromper seu afastamento e retornar à ativa. A investigação revela conexões com uma operação antiga na Colômbia, conhecida como “La Ciénaga”, enquanto a missão passa a girar em torno da proteção de um último sobrevivente, interpretado por Luis Zahera. A partir daí, o filme mergulha em uma rede de conspirações, traições internas e segredos do passado.

Em seus primeiros minutos, Agente Zeta demonstra potencial. A direção de De la Torre imprime ritmo e constrói sequências de ação que conseguem capturar a atenção, como uma perseguição ambientada no Brasil. Há uma tentativa clara de criar um thriller internacional, com locações variadas e um elenco que reforça esse alcance global. Nesse aspecto, o filme evidencia ambição, alinhando-se a produções recentes do streaming que buscam estabelecer franquias próprias dentro do gênero.

No entanto, essa energia inicial rapidamente dá lugar a um problema recorrente: o excesso de exposição. O roteiro, assinado pelo próprio diretor em parceria com outros roteiristas, opta por explicar cada detalhe da trama em longos diálogos, frequentemente ambientados em salas de reunião entre agências de inteligência. O resultado é uma quebra de ritmo significativa, que transforma o que poderia ser uma investigação dinâmica em uma sucessão de explicações.

A estrutura narrativa evidencia esse desequilíbrio. O primeiro ato é marcado por ação fragmentada, o segundo se alonga em explicações e flashbacks, enquanto o terceiro tenta retomar o ritmo com reviravoltas que acabam previsíveis. Essa escolha enfraquece o impacto dramático, já que muitas das revelações são antecipadas pelo próprio desenvolvimento da história.

Ainda assim, há elementos que funcionam. A produção apresenta um nível técnico consistente, com fotografia e ambientação que contribuem para a construção de tensão. As cenas em território latino-americano reforçam a identidade do projeto, enquanto a trilha e o design visual ajudam a sustentar a atmosfera de espionagem.

Agente Zeta (2026) Fatos e curiosidades do Filme de Ação do Prime Video

Crítica do filme: vale à pena assistir Agente Zeta no Prime Video?

No campo das atuações, Agente Zeta encontra seu principal ponto de apoio. Mario Casas entrega um protagonista contido, alinhado ao arquétipo do agente marcado pelo passado, enquanto Luis Zahera se destaca ao conferir peso e presença ao seu personagem. A dinâmica entre os dois funciona em momentos específicos, especialmente quando o filme se permite focar no conflito direto entre eles.

Por outro lado, o desenvolvimento dos personagens é limitado pelo próprio roteiro. Como a narrativa privilegia a explicação constante dos acontecimentos, há pouco espaço para que as motivações sejam construídas de forma orgânica. Isso reduz o envolvimento do espectador e enfraquece o impacto das decisões dramáticas.

No fim, Agente Zeta se apresenta como uma tentativa evidente de iniciar uma nova franquia de espionagem dentro do catálogo do Prime Video. Há ambição estética, um elenco competente e uma proposta internacional clara. No entanto, a execução narrativa, marcada por clichês e excesso de exposição, impede que o filme alcance o nível de envolvimento necessário para se destacar dentro de um gênero já saturado.