Abigail (2024) - Crítica do filme de terror Abigail (2024) - Crítica do filme de terror

Abigail (2024) | Crítica do Filme de Terror

Disponível no streaming, Abigail (2024) aposta em uma premissa que o próprio marketing faz questão de entregar por completo: um grupo de criminosos sequestra uma garota aparentemente comum e descobre, tarde demais, que a vítima é uma bailarina vampira. Dirigido por Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, da Radio Silence, o filme se posiciona como um híbrido entre terror e humor autoconsciente, interessado menos em surpreender e mais em cumprir expectativas já bem estabelecidas pelo gênero. Confira a nossa crítica do filme de terror:

A narrativa acompanha um grupo de sequestradores contratados para manter uma menina em cativeiro por 24 horas, sem contato externo e sem perguntas. A missão simples rapidamente se complica quando a jovem Abigail, interpretada por Alisha Weir, revela sua verdadeira natureza. A partir daí, o longa assume de vez a estrutura de um jogo de eliminação, no qual os personagens são retirados de cena um a um enquanto tentam entender as regras daquele novo território.

Alisha Weir sustenta boa parte do interesse do filme. Sua interpretação funciona melhor quando Abigail deixa de ser apenas uma criança em perigo e assume postura predatória. A personagem ganha presença nos momentos em que o filme abandona a contenção e investe no exagero, seja nos ataques, seja na fisicalidade da personagem. O problema é que o roteiro demora para chegar a esse ponto, insistindo em apresentações longas e diálogos que pouco aprofundam o elenco.

O grupo de sequestradores é composto quase inteiramente por arquétipos. Melissa Barrera interpreta Joey, a integrante mais empática da equipe, mas o texto oferece pouco espaço para desenvolvimento além de conflitos pontuais. Dan Stevens surge como Frank, um ex-policial com comportamento errático, enquanto Kevin Durand se destaca como Peter, um brutamontes que acaba se tornando o personagem mais funcional dentro da lógica do filme. Angus Cloud, Kathryn Newton e William Catlett completam o elenco em papéis que seguem padrões já conhecidos do terror contemporâneo.

Visualmente, Abigail aposta em uma mansão isolada que serve como cenário único para boa parte da trama. O espaço é bem explorado em termos de movimentação e ação, embora a direção opte por uma edição acelerada que, em alguns momentos, compromete a clareza das cenas. A maquiagem e os efeitos práticos associados à figura vampírica funcionam, especialmente no uso das presas e do sangue, reforçando a identidade do filme como um produto de gênero assumido.

Crítica: vale à pena assistir Abigail na Netflix?

O maior limite de Abigail está na previsibilidade. A progressão da história raramente foge do esperado, e o humor, embora presente, nem sempre encontra o ritmo ideal. Ainda assim, o filme demonstra consciência de suas próprias limitações e parece confortável em operar dentro delas, sem prometer algo além do que entrega.

Abigail (2024) - Crítica do filme de terror

No fim, Abigail se estabelece como um terror funcional, voltado a quem aprecia filmes de fórmula, com personagens descartáveis, violência estilizada e uma premissa central que sustenta o interesse até os créditos finais. Não reinventa o gênero nem deixa marcas duradouras, mas pode agradar espectadores em busca de uma experiência direta, sem grandes exigências narrativas.