A estreia de A Caçada (The Hunt) no catálogo do Apple TV+ apresenta uma narrativa que aposta em tensão psicológica e paranoia para conduzir o primeiro capítulo. Estrelada por Mélanie Laurent, a série começa com um evento traumático que funciona como motor dramático da temporada, ainda que o episódio inicial revele fragilidades na construção de personagens e na progressão do conflito. Confira a crítica e resumo do que rolou no episódio 1, intitulado “Dia de caça”.
Recapitulação do episódio 1 (estreia) de A Caçada
Um passeio que termina em violência
O episódio de estreia se inicia de forma direta, acompanhando quatro amigos — Simon, Xavier, Gilles e Franck — em uma caçada rotineira na floresta, acompanhados por um cachorro. O cenário, inicialmente tranquilo, rapidamente se transforma em um espaço de ameaça quando tiros começam a ecoar entre as árvores. Sem entender a origem dos disparos, o grupo reage por instinto e acaba matando um homem durante o confronto.
A inversão de papéis acontece de forma abrupta: os caçadores passam a ser perseguidos. Em pânico, eles fogem do local e retornam para a cidade, carregando não apenas o choque do ocorrido, mas também a certeza de que o episódio terá consequências. Xavier foi atingido de raspão na orelha e sangra visivelmente, o que aumenta a sensação de urgência e medo entre eles.
O pacto do silêncio em A Caçada
Para evitar perguntas da polícia e de suas famílias, Franck decide levar Xavier até Leo, alguém de confiança que pode cuidar do ferimento sem levantar suspeitas. Após o atendimento improvisado, o grupo se reúne e decide manter o ocorrido em segredo, pelo menos por enquanto. O temor é que a polícia descubra o que aconteceu na floresta, especialmente porque cápsulas de balas foram deixadas para trás.
Franck surge, desde cedo, como o personagem mais afetado psicologicamente. Ele retorna para casa tentando manter a normalidade diante da esposa, Krystel, e dos filhos, Lucas e Estelle. O detalhe de Krystel ser médica reforça o quanto Franck se sente pressionado a esconder o que aconteceu, evitando qualquer ida ao hospital que possa levantar suspeitas.
Enquanto isso, a série também apresenta o ambiente familiar de Simon, que vive com a parceira e o pai. O clima dentro da casa é tenso, refletindo o estado emocional do personagem após o tiroteio. A paranoia começa a se instalar de maneira silenciosa.
Vestígios que desaparecem
Na manhã seguinte, o grupo volta a se encontrar. Embora alguns tentem aliviar o clima com piadas, Franck demonstra inquietação. Convencido de que o episódio ainda não terminou, ele retorna sozinho à floresta para procurar as cápsulas de bala deixadas no local. No entanto, elas desapareceram.
O nervosismo aumenta quando a polícia aparece inesperadamente e decide verificar seu veículo. A abordagem, embora breve, deixa Franck visivelmente abalado. Nada é encontrado, e ele é liberado, mas a sensação de estar sendo observado se intensifica.

Uma investigação movida pela culpa
Uma semana depois, a pressão sobre Franck cresce por outros motivos. Um ex-funcionário aparece em sua loja exigindo uma indenização e ameaçando-o. A situação foge do controle, e Franck reage de forma agressiva, expulsando o homem do local. O problema é que toda a discussão parece ter sido registrada pelas câmeras de segurança, o que pode gerar novas complicações.
Pouco depois, um detalhe chama sua atenção: ao folhear o jornal, Franck encontra o obituário de Michael Meinthe, morto em um suposto “acidente de caça”. Convencido de que há uma ligação entre essa morte e o tiroteio na floresta, ele decide investigar por conta própria.
Franck vai até a casa da viúva de Michael, fingindo ser um antigo colega de escola chamado Nicolas. O disfarce é frágil e pouco convincente, mas rende informações importantes. É ali que ele descobre que Michael estava na floresta com Eddy, um amigo de infância que hoje possui uma oficina mecânica nos arredores de Ugine. Há também Alois, apresentado como filho de Michael, cuja presença desperta suspeitas.
Rastros que levam a lugar nenhum
Determinando a seguir cada pista, Franck visita a garagem de Eddy. No local, encontra fotografias dos caçadores guardadas nas prateleiras, o que reforça a ideia de que eles estão sendo observados. Isso o leva até um clube frequentado por caçadores na região de Hersham, mas a visita não rende respostas concretas.
Ao retornar para casa, Franck recebe uma ligação de um número desconhecido. Tomado pela paranoia, ele decide não atender. A sensação de ameaça se materializa quando, já em casa, ele encontra seu rifle de caça escondido debaixo da cama — um sinal claro de invasão e intimidação.
Na manhã seguinte, o episódio se encerra com um gesto simbólico e perturbador: ao abrir a caixa de correio depois de deixar o filho na escola, Franck encontra quatro balas dentro dela, uma mensagem silenciosa que confirma que alguém sabe exatamente o que aconteceu na floresta.

Crítica do episódio 1 de A Caçada, do AppleTV+
Tensão sem aprofundamento
O primeiro episódio de A Caçada (The Hunt) estabelece bem seu conflito central e cria um clima constante de desconfiança. No entanto, o roteiro tropeça ao não desenvolver suficientemente seus personagens. Falta tempo para que o público crie vínculo emocional com o grupo, o que enfraquece o impacto dos acontecimentos.
A investigação conduzida por Franck soa precipitada em vários momentos, funcionando mais como ferramenta narrativa para movimentar a trama do que como uma decisão coerente do personagem. A conexão imediata entre o “acidente de caça” e o tiroteio também parece apressada, já que outras possibilidades não são consideradas.
Ainda assim, o episódio cumpre a função de apresentar o universo da série e plantar elementos que podem ser explorados com mais profundidade nos capítulos seguintes. Com novos episódios disponíveis, resta saber se A Caçada conseguirá transformar sua boa premissa em uma narrativa mais consistente ao longo da temporada.