A série sul-coreana A Arte de Sarah, recém-lançada pela Netflix, chega ao catálogo (assista) como um thriller policial que aposta menos em reviravoltas espetaculares e mais na construção gradual de personagens e de um mistério baseado em aparências, status e mentira. Com oito episódios de cerca de 45 minutos, o k-drama conduz o espectador por um jogo de versões, no qual quase nada é exatamente o que parece. Leia a crítica do dorama.
O que acontece na série coreana
A trama tem início com um assassinato: o corpo de uma mulher é encontrado em um esgoto, sem documentos e com o rosto desfigurado. A única pista concreta é uma bolsa de luxo rara, cujo número de série leva a polícia até Jung Yeo-jin, CEO de uma marca de cosméticos que afirma reconhecer a vítima como Sarah Kim. A partir desse ponto, a narrativa se divide entre a investigação conduzida pelo detetive Park Mu-gyeong e os flashbacks que mostram como Sarah construiu sua imagem de executiva poderosa ligada ao universo do luxo internacional.
Sarah Kim, vivida por Shin Hye-sun, é apresentada como diretora asiática de uma marca europeia exclusiva, supostamente usada por membros da realeza e acessível apenas a uma elite mínima. Seu estilo de vida, sustentado por dinheiro vivo, eventos sofisticados e conexões estratégicas, desperta fascínio imediato. A série deixa claro desde cedo que essa aura de sucesso depende mais da crença coletiva do que de fatos verificáveis — um comentário direto sobre o poder da imagem e da validação social.
É nesse contexto que surge Jung Yeo-jin, interpretada por Park Bo-kyung, uma empresária ambiciosa que vê em Sarah uma oportunidade de ascensão pessoal e profissional. A relação entre as duas se constrói sobre admiração, conveniência e interesses financeiros, elementos que se tornam centrais para o mistério conforme lacunas começam a aparecer nos relatos de Yeo-jin à polícia. O que ela diz nem sempre coincide com o que as imagens e os fatos sugerem.
O contraponto a esse universo de aparências é o detetive Park Mu-gyeong, vivido por Lee Jun-hyuk. Metódico e discreto, ele conduz a investigação com atenção aos detalhes e desconfiança constante. À medida que revisita depoimentos e gravações, Park percebe que “Sarah Kim” pode não passar de uma identidade fabricada, o que amplia o alcance do caso para além de um simples homicídio.

Crítica de A Arte de Sarah: vale à pena assistir ao k-drama na Netflix?
Um dos méritos de A Arte de Sarah está justamente em não oferecer respostas imediatas. A série levanta perguntas fundamentais: de onde veio o dinheiro que sustentou o golpe? Por que ninguém questionou a existência da marca de luxo? Até que ponto os envolvidos preferiram não enxergar a verdade para manter seus próprios benefícios? Essas questões mantêm o suspense ativo ao longo dos episódios.
Com uma narrativa centrada nos personagens e em suas contradições, a série se aproxima de outros dramas sobre identidades falsas e fraudes sofisticadas, mas encontra voz própria ao explorar o impacto emocional e social da mentira prolongada. A Arte de Sarah é recomendada para quem busca um mistério policial que se desenvolve com calma, sustentado por atuações consistentes e por um olhar crítico sobre o culto ao luxo, à influência e à imagem pública.