A Acusada (2026) Crítica e Fatos do Filme Indiano da Netflix A Acusada (2026) Crítica e Fatos do Filme Indiano da Netflix

A Acusada (2026) | Crítica do Filme | Netflix

A estreia de A Acusada no catálogo da Netflix apresenta um drama psicológico que aposta menos em reviravoltas e mais na observação do impacto social das acusações públicas. Dirigido por Anubhuti Kashyap, o longa constrói sua tensão a partir da fragilidade da reputação, especialmente quando colocada sob julgamento coletivo.

A trama acompanha Geetika Sen, interpretada por Konkona Sen Sharma, uma ginecologista respeitada que vive em Londres e está prestes a assumir um cargo de liderança no hospital onde trabalha. Sua vida pessoal também parece estável ao lado da esposa Meera, vivida por Pratibha Ranta. Esse cotidiano organizado começa a ruir quando um e-mail anônimo acusa Geetika de má conduta sexual, acionando uma investigação interna e um processo informal de condenação pública.

O roteiro evita transformar a narrativa em um thriller convencional. Em vez de se concentrar na descoberta de um culpado, o filme se dedica a expor como a simples existência de uma acusação é suficiente para corroer trajetórias profissionais e relações pessoais. A direção de Kashyap opta por uma abordagem contida, usando silêncios, olhares e pequenos gestos para evidenciar o isolamento progressivo da protagonista. A sensação constante é a de que Geetika está sendo observada, julgada e redefinida por narrativas que fogem ao seu controle.

A atuação de Konkona Sen Sharma sustenta o filme com precisão. Sua Geetika transita entre segurança profissional e vulnerabilidade emocional sem recorrer a excessos, mantendo uma ambiguidade que convida o espectador a questionar certezas rápidas sobre culpa e inocência. O filme não a posiciona como vítima idealizada nem como figura irrepreensível, mas como uma mulher em posição de poder lidando com as consequências de um sistema que reage de forma desigual quando a acusada é alguém fora dos padrões tradicionais de autoridade.

Nesse sentido, A Acusada dialoga diretamente com questões de gênero. O longa observa como mulheres assertivas e ambiciosas costumam ser rotuladas como arrogantes, enquanto suas qualificações são frequentemente colocadas em dúvida. A narrativa sugere que, mesmo antes de qualquer conclusão oficial, o julgamento social já está em curso, amplificado por fofocas, suposições e pela pressão institucional.

A relação entre Geetika e Meera ganha mais espaço na segunda metade do filme, quando a investigação começa a afetar a confiança entre as duas. Pratibha Ranta constrói uma personagem marcada pela dúvida e pelo conflito interno, evitando soluções fáceis. O desgaste do casamento funciona como reflexo direto da crise maior, mostrando que os efeitos da acusação extrapolam o âmbito profissional.

A Acusada (2026) Crítica e Fatos do Filme Indiano da Netflix

Crítica do filme: vale à pena assistir A Acusada na Netflix?

Visualmente, o filme aposta em ambientes fechados e paletas frias, especialmente nos corredores do hospital e nos espaços domésticos, reforçando a sensação de confinamento emocional. O ritmo desacelera deliberadamente perto do final, o que pode dividir opiniões, mas reforça a proposta de desconforto e reflexão.

Sem oferecer respostas definitivas, A Acusada se encerra fiel à sua premissa: mais interessado em provocar debate do que em concluir julgamentos. Trata-se de um drama que expõe a rapidez com que reputações podem ser desconstruídas e o peso que esse processo impõe, sobretudo quando recai sobre mulheres em posições de destaque.