Disponível no catálogo do Prime Video, A 5ª Vítima é um thriller de terror psicológico dirigido e roteirizado por Michael Morrissey que constrói sua narrativa a partir de trauma, memória e suspeita. O filme acompanha as consequências de um caso criminal ocorrido décadas antes, quando uma menina sobreviveu a um sequestro em série. Agora adulta, ela tenta reconstruir a vida enquanto o passado ameaça retornar de forma violenta. Confira a crítica.
A protagonista Christina Bowden, interpretada por Lexi Johnson, trabalha como professora do ensino fundamental e vive um momento de recomeço. Após anos lidando com as marcas de um trauma de infância, ela decide adotar uma adolescente chamada Lisa, papel de Willow McCarthy. Christina foi a única sobrevivente de uma série de crimes cometidos por Elizabeth Caulfield, assassina responsável por sequestrar e matar várias jovens. O caso ocorreu cerca de vinte anos antes dos acontecimentos do filme.
A rotina da protagonista muda quando Caulfield, interpretada por Kaye Tuckerman, consegue escapar da prisão. O policial aposentado que investigou o caso no passado, Gerry (vivido por Ned Van Zandt), entende que Christina pode voltar a ser alvo da criminosa. Por isso, ele pede ao detetive Jamie, personagem de Chukwudi Iwuji, que fique responsável por protegê-la.
A partir desse ponto, A 5ª Vítima passa a desenvolver um suspense centrado em dúvidas e pistas contraditórias. Enquanto a polícia tenta localizar Caulfield, novos assassinatos começam a acontecer. O detalhe que torna o caso mais perturbador é que muitas das vítimas têm alguma ligação com a vida atual de Christina. A situação levanta uma questão que conduz toda a narrativa: como a assassina poderia conhecer essas pessoas após passar duas décadas encarcerada?
Esse elemento cria um jogo de suspeitas que coloca a própria protagonista no centro do mistério. Durante a vigilância policial, Jamie percebe comportamentos estranhos em Christina. Em algumas noites, ela parece caminhar pela floresta próxima à sua casa em estado de sonambulismo, retornando coberta de terra e sem lembrar exatamente do que fez. A dúvida passa então a dominar o enredo: Christina pode estar sendo manipulada ou existe algo mais obscuro ligado ao seu passado?
O roteiro de Michael Morrissey aposta em uma estrutura que mistura múltiplos personagens e histórias paralelas. Em alguns momentos, essa abordagem pode dar a impressão de excesso de informação, mas também funciona como estratégia para confundir o espectador e ampliar o mistério central. O filme distribui pistas ao longo da narrativa, muitas vezes deixando detalhes aparentemente secundários ganharem importância apenas mais tarde.
Esse método cria um suspense que depende da atenção do público. Algumas situações mostradas no início, como eventos ligados à fuga de Caulfield, retornam posteriormente para esclarecer pontos da trama. Ao mesmo tempo, o filme também deixa certas perguntas em aberto, o que pode gerar sensação de incompletude, mas reforça a ambiguidade que marca a história.

Apesar de apresentar limitações de produção, A 5ª Vítima sustenta seu interesse principalmente pela construção do enigma narrativo. O longa foi realizado com orçamento modesto, algo perceptível em determinados efeitos sonoros e em algumas escolhas de encenação. Ainda assim, a trama mantém o foco na tensão psicológica e na dúvida sobre quem realmente está por trás dos crimes.
Crítica do filme: vale à pena assistir A 5ª Vítima no Prime Video?
A atuação de Lexi Johnson contribui para essa atmosfera. A atriz interpreta Christina como uma personagem marcada por traumas, mas que tenta manter uma aparência de normalidade enquanto sua estabilidade emocional é colocada em xeque. Essa ambiguidade ajuda a sustentar o suspense, já que o filme trabalha constantemente com a possibilidade de que a verdade seja diferente do que parece.
A 5ª Vítima funciona como um thriller que combina terror psicológico e investigação criminal. Mesmo com alguns problemas de ritmo e produção, o longa constrói um quebra-cabeça narrativo que incentiva o espectador a revisar cada detalhe apresentado. Quando os créditos finais chegam, a sensação é a de que muitas peças estavam visíveis desde o início — mas só fazem sentido completo após o desenrolar da história.