Antes de chegar ao catálogo da Netflix, 72 Horas em Miami (72 Hours) parecia reunir os ingredientes certos para uma comédia de grande alcance: Kevin Hart novamente sob a direção de Tim Story, uma premissa baseada no choque de gerações e um cenário perfeito para situações caóticas. No entanto, o resultado fica muito aquém das expectativas, entregando um filme que desperdiça seu elenco e transforma uma ideia promissora em uma sucessão de piadas pouco inspiradas. Confira a nossa crítica.
Na trama, Joe Nixon (Kevin Hart) é um executivo de marketing na casa dos 40 anos que vê sua carreira estagnar após ouvir que não consegue mais se conectar com o público jovem. Em busca de provar o contrário, ele aceita o convite de um grupo de desconhecidos para uma despedida de solteiro de 72 horas em Miami, depois de ser adicionado por engano a um aplicativo de mensagens. A viagem, que deveria servir como laboratório para entender a Geração Z, rapidamente se transforma em uma sequência de confusões envolvendo festas, drogas e criminosos.
O conceito inicial até possui potencial. A ideia de colocar um profissional de meia-idade convivendo com um grupo de jovens poderia render boas observações sobre diferenças geracionais e mudanças de comportamento. O problema é que o roteiro, assinado por Jon Hurwitz, Hayden Schlossberg, Kevin Burrows e Matt Mider, prefere apostar em humor escatológico, exageros e situações cada vez mais absurdas, deixando de explorar o conflito central de maneira inteligente.
Kevin Hart mantém a energia que marcou sua carreira, mas repete praticamente o mesmo estilo de atuação visto em diversas de suas comédias anteriores. Em vez de encontrar novas nuances para Joe, o ator recorre a explosões de histeria, gritos e improvisos que rapidamente se tornam repetitivos. Há ainda uma sequência em que, sob efeito de cocaína, o personagem passa a imitar Tony Montana, de Scarface, em um momento que parece deslocado e dificilmente provoca o efeito cômico pretendido.

O restante do elenco também acaba subaproveitado. Teyana Taylor surge em um papel sem desenvolvimento, enquanto Mason Gooding, Marcello Hernández, Ben Marshall e Kam Patterson representam o grupo de amigos da despedida de solteiro. Entre eles, Patterson consegue arrancar alguns dos poucos momentos realmente divertidos graças ao seu bom timing cômico, mas nem isso é suficiente para elevar o conjunto.
Outro problema está na tentativa de misturar gêneros. Em determinado momento, a comédia abandona o humor para investir em uma trama envolvendo traficantes e perseguições, aproximando-se de um filme de ação. A mudança de tom nunca encontra equilíbrio e faz com que a narrativa pareça desconexa, alternando entre situações exageradas e momentos que tentam, sem sucesso, transmitir alguma mensagem sobre amadurecimento e amizade.

Crítica de 72 Horas em Miami: vale à pena assistir na Netflix?
Ainda assim, 72 Horas em Miami apresenta uma ideia interessante ao mostrar que os personagens mais jovens valorizam experiências compartilhadas acima da necessidade constante de registrar tudo nas redes sociais. É uma abordagem que poderia render comentários pertinentes sobre as novas gerações, mas o roteiro raramente desenvolve esse conceito antes de partir para outra piada de gosto duvidoso.
No fim das contas, 72 Horas em Miami acaba sendo mais um exemplo de uma produção que aposta em um elenco carismático e em uma premissa comercial, mas falha na execução. Com humor irregular, roteiro sem foco e personagens pouco desenvolvidos, o longa dificilmente figura entre os melhores trabalhos de Kevin Hart ou Tim Story. Quem procura uma comédia descompromissada pode até encontrar alguns momentos de diversão, mas o filme deixa a sensação de que havia potencial para muito mais do que a Netflix entrega.