56 Dias - Crítica e Fatos da Série do Prime Video 56 Dias - Crítica e Fatos da Série do Prime Video

56 Dias | Crítica da Série | Prime Video

A série 56 Dias, recém-chegada ao catálogo do Prime Video, parte de uma premissa que combina romance, erotismo e mistério policial, mas encontra dificuldades para sustentar esses elementos ao longo de seus oito episódios. Criada por Karyn Usher e Lisa Zwerling, a produção adapta o romance best-seller de Catherine Ryan Howard e aposta em uma estrutura narrativa não linear para manter o suspense. Leia a crítica.

O que acontece na série

A trama se inicia com a descoberta de um corpo em avançado estado de decomposição em um apartamento de luxo em Boston. A partir daí, a narrativa retrocede 56 dias para acompanhar o início do relacionamento entre Ciara e Oliver, interpretados por Dove Cameron e Avan Jogia. O encontro casual entre os dois evolui rapidamente para uma convivência intensa, marcada por atração física imediata e decisões precipitadas. Desde cedo, a série sinaliza que ambos escondem segredos, criando um jogo de desconfiança que deveria sustentar a tensão dramática.

Visualmente, 56 Dias aposta em uma estética fria e controlada, com cenários sofisticados que contrastam com a brutalidade do crime central. Essa oposição funciona como conceito, mas raramente se traduz em impacto emocional. A opção por ocultar informações cruciais sobre o passado dos protagonistas até os episódios finais parece menos uma escolha narrativa estratégica e mais uma tentativa de prolongar artificialmente o mistério. As reviravoltas surgem em ritmo constante, mas muitas delas carecem de peso dramático, o que enfraquece o envolvimento do espectador.

O romance entre Ciara e Oliver é apresentado como o motor da história, especialmente por meio de cenas de sexo frequentes, usadas como ferramenta de marketing e de caracterização da relação. No entanto, apesar da insistência na sensualidade, falta densidade emocional. A química entre os protagonistas existe em nível funcional, mas raramente ultrapassa o superficial, o que compromete a ideia de que essa paixão seria capaz de justificar atitudes extremas e escolhas moralmente questionáveis.

No núcleo policial, os detetives Karl e Lee, vividos por Dorian Missick e Karla Souza, conduzem a investigação no presente. Embora o ponto de partida seja promissor, esse arco sofre com subtramas pouco integradas ao mistério principal. Conflitos pessoais dos investigadores ocupam tempo de tela sem acrescentar camadas relevantes à narrativa, diluindo a força do aspecto investigativo.

As atuações são irregulares. Enquanto parte do elenco de apoio entrega performances mais naturais, os protagonistas oscilam entre momentos corretos e escolhas que soam artificiais, dificultando a empatia. Essa inconsistência reforça a sensação de que a série prioriza conceitos e tendências narrativas em detrimento da construção sólida de personagens.

Crítica: vale à pena assistir 56 Dias no Prime Video?

No conjunto, 56 Dias funciona como um thriller eficiente em manter o espectador curioso sobre “quem morreu” e “quem matou”, mas falha ao aprofundar suas relações e temas. Ao final, a série deixa a impressão de que tinha material para explorar questões mais complexas sobre intimidade, manipulação e identidade, mas opta por um caminho mais seguro e previsível. O resultado é uma produção que prende pela curiosidade, mas dificilmente permanece na memória após o último episódio.