Dirigido por Oliver Hermanus, Viver (Living) emerge como uma adaptação sensível e contemporânea de um clássico do cinema, transpondo para o pós-guerra londrino a jornada de um burocrata que, diante de um diagnóstico terminal, decide revisar sua vida. Com roteiro do premiado escritor Kazuo Ishiguro, o filme destaca-se por sua sutileza emocional, atmosfera soturna e a performance contida de Bill Nighy, elevando questões universais sobre propósito, rotina, arrependimento e redenção em seus momentos finais. A seguir, cinco curiosidades sobre a produção e seus bastidores — elementos que ajudam a compreender melhor as escolhas artísticas e o impacto do longa.
1. Living é adaptação de um clássico japonês
O filme é uma releitura de Ikiru (1952), do diretor Akira Kurosawa — e, por sua vez, o original de Kurosawa havia sido inspirado no livro A Morte de Ivan Ilitch (1886), de Liev Tolstói. Na versão de 2022, o enredo é transferido para Londres em 1953, mantendo a estrutura dramática original, mas reinterpretando as tensões sociais e culturais em contexto europeu pós-guerra.
2. Roteiro de um Nobel da Literatura
O roteiro de Living foi escrito por Kazuo Ishiguro — vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 2017 —, o que traz ao filme um peso literário e sensibilidade dramática incomuns para adaptações cinematográficas desse tipo.
Essa combinação entre cinema e literatura enfatiza a interioridade do protagonista e o conflito existencial, com diálogos contidos e atmosferas carregadas de silêncio e introspecção.
3. Cuidado extremo na recriação da atmosfera dos anos 1950
Para recriar o ambiente de 1950 com fidelidade em Viver, a produção investiu em detalhes visuais: o design de produção dedicou-se a evitar cortes rápidos, suavizar a paleta de cores e usar tipografia de época nos créditos. Além disso, filmagens ocorreram em locações reais como o histórico County Hall, contribuindo para a ambientação autêntica de um pós-guerra urbano britânico.
4. Bill Nighy preparou-se profundamente para o papel de Viver
Para incorporar o personagem de forma crível, Bill Nighy deliberadamente alterou sua voz — deixando-a mais fraca, como se o protagonista tivesse dificuldade em expressar seus sentimentos reprimidos. Esse trabalho minucioso realça o conflito interior de Williams e torna a performance ainda mais comovente, pautada por sutilezas e silêncios carregados de significado.
5. Reconhecimento da crítica e premiações de Viver
Living foi bem recebido pela crítica especializada: no site de agregação de críticas, alcançou uma taxa de aprovação de 96%. Além disso, o filme estreou mundialmente no Sundance Film Festival, em 21 de janeiro de 2022, e recebeu indicações importantes, incluindo Melhor Ator para Bill Nighy e Melhor Roteiro Adaptado para Ishiguro.