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O que os filmes de Herói podem aprender com Mulher Maravilha

Raphael (Ph) Carmo

6 jun, 2017

Mulher Maravilha finalmente estreou e está sendo um sucesso de crítica e público, felizmente. Além de ser um ótimo filme do gênero, ele ainda supera as expectativas que já estavam altas e entrega um lindo filme de super herói como não víamos a muito tempo, com certeza ele será lembrado e repercutido pelos próximos anos que virão. Separei alguns aspectos do longa que podem servir de inspiração para os futuros filmes do gênero. O texto contém Spoilers leves do filme.

Protagonistas Femininas dão certo

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Existia uma máxima em Hollywood que filme de ação com mulher protagonista não dá dinheiro. Mesmo com poucos exemplos, vemos aos poucos uma mudança desse paradigma. Já tivemos heroínas protagonistas antes (Mulher Gato e Elektra), mas eram exemplos tão ruins que nem merecem ser comentados. Mulher Maravilha já vem quebrando barreiras em ser o primeiro filme blockbuster multimilionário com diretora mulher a gastar e fazer muita grana, podemos dizer com convicção que Diana já está no panteão das mulheres fodonas como Ellen Ripley e A Noiva. A DC abriu as portas para um novo subgênero e espero ver filmes da Miss Marvel, Capitã Marvel, Supergirl e outras heroínas no futuro.

Romance que faz sentido

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É comum em filmes blockbuster que empurrem par românticos para personagens mulheres ou que o protagonista masculino tenha alguma namoradinha para salvar e lhe apoiar. Mas muitas vezes esse romance é colocado de forma deliberada, parece que existe uma fórmula que diz que é obrigatório ter um romance no filme e os roteiristas fazem de qualquer jeito, como vemos em Thor por exemplo. A dinâmica e química de Diana com Steve Trevor é construída desde seu primeiro contato, evoluindo de forma inocente e leal até que eles finalmente se beijam. Mas isso não é esquecido depois, o romance com o homem faz Diana entender que só a força do amor pode se opor a força da guerra ( é brega mas funciona) e seu amor por ele é refletido no amor pela humanidade., ou seja, o romance é mais do que um detalhe do filme, ele é importante para a trama.

Subtexto é importante

Uma das coisas que mais gostei no filme é o fato de se passar na Primeira Guerra Mundial. Ora, porque não pegar a Segunda que tinha um inimigo mais palpável e ficou mais famosa? A grande sacada é que a Grande Guerra foi o primeiro grande conflito em escala global, foi uma guerra suja e cruel, onde pessoas morriam aos montes com armas químicas, bombardeios e metralhadoras automáticas. Foi um período único na humanidade onde todos perderam as esperanças enquanto presenciavam cenas e acontecimentos horríveis. Isso reflete muito bem o choque que Diana tem quando entra em contato com esse contexto, pegar uma personagem inocente e jogar em um contexto desse foi muito bem pensado. Sem falar que o filme não tem medo de mostrar a sujeira e escatologia da guerra (obviamente fazendo de tudo para permanecer no PG13), nos dando uma visão higienizada mas bem próxima da realidade do conflito.

Heróis Clássicos ainda funcionam

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Desde quando Watchmen foi lançado lá em 1985, os anti-heróis e bad boys entraram na moda e heróis mais clássicos perderam espaço. Os filmes também beberam nessa fonte e cada vez mais entregam heróis cínicos e complexos, cheios de tons de cinza. A própria DC está criando um universo bem escuro nos cinemas e até o Superman virou um personagem que não joga com as regras. Mulher Maravilha traz aquela inocência e heroísmo que ficou famosa nos primeiros filmes do Super lá da década de 70, ela é uma heroína de verdade, pura e leal, uma verdadeira paladina da justiça. Apesar de parecer tudo muito brega, faz total sentido por ela ser alguém que viveu isolada da nossa sociedade, a sua pureza é uma grande ferramenta narrativa que nos entrega momentos tanto dramáticos quanto hilários.

Temas Sociais de forma sutil

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Mulher Maravilha é considerada um ícone feminista e de empoderamento feminino mas fiquei feliz em ver que o filme não força a barra quanto a esse assunto. Eu acho que essas discussões são importantes e tem que ser feitas, mas devem ser realizadas de forma sutil e que se encaixe na narrativa. Só porque a personagem é mulher, negro ou gay, isso não precisa ser lembrado direto nos diálogos e ações do filme, eles são seres humanos e tem interações sociais normais como todos os outros. Acredito que o filme teve uma panfletagem na medida certa, sem apelar nem ignorar as lutas e discussões. Isso não é algo fácil de se fazer, o próprio Snyder sempre erra a mão em comparar o Super a Jesus, não é natural. Ponto para Patty Jenkins que conseguiu trazer discussões importantes sem parecer uma apresentação de power point sobre feminismo e empoderamento.

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