Amizade Tóxica (Friendship, 2024) - Crítica, fatos e curiosidades do filme Amizade Tóxica (Friendship, 2024) - Crítica, fatos e curiosidades do filme

Amizade Tóxica (2024) | Crítica do Filme | Paramount+

Amizade Tóxica (Friendship, 2024) é uma comédia dramática de viés psicológico que usa o humor do constrangimento como ferramenta para dissecar inseguranças masculinas, narcisismo e a fragilidade das relações adultas. Dirigido e roteirizado por Andrew DeYoung, o filme (disponível para assistir no Paramount+) se apresenta como uma obra que se move entre o riso nervoso e o desconforto persistente, sustentada principalmente pelo trabalho de Tim Robinson e Paul Rudd.

Robinson interpreta Craig Waterman, um homem socialmente deslocado cuja vida pessoal e emocional está em colapso. Ele enfrenta um casamento em desgaste, uma relação fria com o filho adolescente e uma incapacidade crônica de perceber o impacto de suas ações nos outros. Desde a cena inicial, ambientada em uma sessão de terapia para casais que lidam com o câncer — doença da qual sua esposa está em remissão —, o filme deixa claro que Craig enxerga o mundo apenas a partir de suas próprias carências.

A chegada do novo vizinho, Austin Carmichael (Paul Rudd), funciona como o gatilho narrativo. Austin é um meteorologista carismático, aparentemente seguro e socialmente integrado, o oposto do protagonista. A amizade entre os dois nasce de forma rápida e intensa, mas logo se revela profundamente desequilibrada. O que começa como camaradagem masculina evolui para uma relação marcada por dependência emocional, idealização e ressentimento.

Andrew DeYoung constrói a narrativa a partir do ponto de vista de Craig, adotando uma abordagem subjetiva que distorce a percepção da realidade. Fantasias recorrentes, devaneios de grandeza e situações exageradas revelam o desejo obsessivo do personagem de se sentir valorizado e indispensável. Quando essa validação lhe é retirada, o filme mergulha em um território psicológico mais sombrio, onde pequenas rejeições assumem proporções devastadoras.

Tim Robinson entrega uma atuação que amplia o estilo que o consagrou em I Think You Should Leave, mas com maior densidade dramática. Seu Craig é incômodo, autocentrado e frequentemente difícil de suportar, mas nunca caricato. Já Paul Rudd subverte sua persona habitual ao interpretar um personagem que, embora mais funcional socialmente, também revela traços de egoísmo e superficialidade. A dinâmica entre os dois evita soluções fáceis e impede que o filme adote um vilão claro.

Amizade Tóxica (Friendship, 2024) - Crítica, fatos e curiosidades do filme

Crítica do filme: vale à pena assistir Amizade Tóxica no Paramount+?

Visualmente, Amizade Tóxica se distancia da estética de sitcom. A direção aposta em enquadramentos precisos, uso expressivo do som e uma atmosfera que reforça o isolamento emocional do protagonista. Ainda que o roteiro apresente repetições e personagens secundários pouco desenvolvidos, o conjunto se sustenta pela coerência temática e pela confiança autoral.

Sem buscar agradar a todos, o filme se destaca como uma comédia desconfortável sobre limites, frustrações e a dificuldade de amadurecer emocionalmente. Amizade Tóxica não oferece respostas fáceis, mas provoca reflexões ao expor como relações aparentemente banais podem revelar conflitos profundos e difíceis de ignorar.