Lançado pela Netflix no início de 2026, O Falsário (Il falsario) chamou atenção ao transformar um capítulo pouco conhecido da história italiana em um thriller que mistura arte, crime e política. Inspirado na trajetória real de Antonio Chichiarelli, o filme dirigido por Stefano Lodovichi recria o clima de instabilidade dos anos de chumbo na Itália e levanta discussões sobre falsificação, poder e sobrevivência. A seguir, reunimos fatos e curiosidades que ajudam a compreender melhor o contexto e as escolhas por trás do longa.
1. O protagonista é inspirado em um falsificador real que atuou nos anos 1970 e 1980
Toni, personagem vivido por Pietro Castellitto, é inspirado em Antonio Chichiarelli, falsificador italiano que circulou pelo submundo romano durante as décadas de 1970 e 1980. Chichiarelli ficou conhecido por sua habilidade técnica e por sua proximidade indireta com episódios centrais da história política italiana, especialmente durante o período marcado pelo terrorismo interno e pela instabilidade institucional.
2. O Falsário se conecta ao sequestro real de Aldo Moro
Um dos elementos mais impactantes de O Falsário é a presença do sequestro de Aldo Moro, ocorrido em 1978. Na vida real, investigações apontaram que um comunicado falso atribuído às Brigadas Vermelhas circulou durante o caso. O filme incorpora esse episódio à narrativa, mostrando como a falsificação também foi usada como ferramenta de desinformação política.
3. A falsificação é tratada como linguagem, não apenas como crime
Ao longo do filme, a falsificação não aparece apenas como delito financeiro, mas como forma de comunicação e manipulação. Toni falsifica obras de arte, documentos e narrativas, refletindo a ideia de que, em contextos de crise, a mentira pode se tornar um instrumento de poder tão eficaz quanto a violência direta.
4. O assalto retratado em O Falsário tem inspiração em um roubo histórico em Roma
O grande golpe mostrado no terço final do filme remete ao assalto real à Brink’s Securmark, ocorrido em Roma em 1984, quando bilhões de liras foram roubados. Assim como na história real, o crime é retratado como uma operação cuidadosamente encenada, com pistas falsas deixadas para confundir as autoridades e prolongar a investigação.
5. O desfecho do filme difere do destino do personagem real
Enquanto O Falsário opta por um final aberto, no qual Toni consegue escapar da Itália, a história real de Antonio Chichiarelli teve um encerramento muito mais abrupto. O falsificador foi assassinado em 1984, aos 36 anos, em circunstâncias nunca totalmente esclarecidas. A mudança no filme reforça seu caráter ficcional e amplia o debate moral proposto pela narrativa.