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5 Erros de Game of Thrones ao adaptar os livros de George R. R. Martin

A adaptação de Game of Thrones para a televisão é lembrada pelo impacto cultural, mas também pelas escolhas controversas feitas ao longo das temporadas. Entre a segunda e a quinta temporada — período em que a série ainda tinha material publicado para adaptar — diversas tramas dos livros As Crônicas de Gelo e Fogo foram simplificadas, alteradas ou tratadas de forma superficial. Essas mudanças prejudicaram o desenvolvimento de personagens e comprometeram elementos essenciais da saga criada por George R. R. Martin. A seguir, veja os principais erros cometidos pela adaptação.

1. O arco de Daenerys em Qarth e a descaracterização da personagem

A trajetória de Daenerys em Qarth, apresentada na segunda temporada, é um dos pontos de maior distanciamento entre a série e os livros. Nas páginas, a passagem pela cidade tem peso simbólico e narrativo. É ali que a personagem busca compreender seu papel no mundo, conversa com a feiticeira Quaithe e recebe visões na Casa dos Imortais que moldam sua jornada futura — incluindo profecias sobre traições, sacrifícios e suas futuras montarias.

Na série, quase nada disso foi adaptado. Os showrunners optaram por criar cenas esteticamente marcantes, mas esvaziadas de significado. As visões que seriam importantes para a evolução da protagonista foram substituídas por sequências sem impacto no futuro da trama, e os Imortais foram retratados apenas como antagonistas circunstanciais.

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Outra mudança decisiva envolve suas motivações: nos livros, Daenerys vai voluntariamente à Casa dos Imortais em busca de respostas; na série, ela é obrigada a ir até lá para resgatar seus dragões. Essa alteração muda a postura da personagem e remove nuances importantes sobre seu senso de propósito e agência.

Por fim, a morte de Xaro Xhoan Daxos, personagem que continua relevante nos livros, demonstra o quanto elementos importantes foram descartados sem necessidade.

2. A redução da complexidade política de Catelyn Stark em Game of Thrones

Catelyn Stark é apresentada nos livros como uma das conselheiras mais importantes de Robb. Embora impulsiva em alguns momentos, ela é responsável por orientar o filho em decisões estratégicas, negociar alianças e identificar riscos — inclusive desconfiando antes de qualquer outro da quebra de acordo pelos Frey.

Na série, grande parte dessa inteligência política foi transferida para personagens masculinos. Muitas das estratégias sugeridas por Catelyn nos livros aparecem como ideias de lords secundários, enquanto a personagem é retratada como movida quase exclusivamente por emoções. Isso empobrece sua participação e compromete o arco de Robb, que perde a profundidade política que Martin desenvolveu.

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Créditos: Divulgação

Ao reduzir sua relevância, a adaptação apagou nuances de uma das figuras mais importantes do Norte, prejudicando inclusive a compreensão do impacto que sua morte teria nos rumos da guerra.

3. A mudança nas motivações de Tyrion após a morte de Tywin

Outro erro marcante envolve Tyrion Lannister. Nos livros, antes de fugir de Porto Real, ele descobre que Tysha — sua primeira esposa — realmente o amava, e que Tywin obrigou Jaime a mentir sobre ela ser uma prostituta. Essa revelação é o fator determinante para o assassinato de Tywin, evento que marca uma virada crucial na trajetória de Tyrion.

Na série, essa informação foi retirado do roteiro. Sem ela, o assassinato de Tywin perde peso emocional e narrativo. A motivação do personagem se torna menos complexa, reduzida a uma vingança circunstancial. Essa escolha criou uma ruptura significativa no desenvolvimento de Tyrion, afetando seu comportamento nas temporadas seguintes.

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4. A descaracterização gradual da magia e das profecias de Game of Thrones

Um dos aspectos que mais diferenciam os livros é a presença constante de magia, visões e profecias que orientam personagens e antecipam conflitos. Na adaptação, esses elementos foram sendo abandonados aos poucos.

O desinteresse dos produtores por arcos mágicos fica evidente em Qarth, mas também reaparece em eventos posteriores, como a ausência de diversas profecias ligadas à Longa Noite, ao Príncipe Prometido e a linhagens antigas. A série opta por explicações simplificadas, reduzindo a profundidade simbólica e mística da obra original.

Essa escolha também afeta o arco final da série, já que profecias importantes nunca foram plenamente exploradas em tela, deixando a conclusão sem coerência com elementos apresentados anteriormente.

Game of Thrones

As mudanças feitas em Game of Thrones durante a adaptação dos livros de George R. R. Martin não se limitaram à compressão de tramas ou à exclusão de personagens — práticas comuns em adaptações. Muitas delas alteraram motivações centrais, reduziram a complexidade política da história e comprometeram o desenvolvimento de figuras essenciais, como Daenerys, Catelyn e Tyrion. Esses desvios narrativos contribuíram diretamente para problemas estruturais que ficaram ainda mais evidentes nas temporadas finais, quando a série avançou sem material publicado para se basear.