Lemony Snicket se diverte enquanto nos desafia a explorar sua incrível imaginação nesse que pode ser chamado de “spin-off” (ou até um “prequel”) de Desventuras Em Série. O Detetive que investiga e narra os acontecimentos em Desventuras aqui é apresentado ainda como um aprendiz em seu primeiro caso, um menino incrivelmente inteligente que me faz lembrar de Sherlock Holmes, apenas menos arrogante, mas não menos enigmático que o famoso detetive inglês, e a maneira que o autor nos guia pela cidadezinha de Manchado-Pelo-Mar torna o livro melhor a cada virada de página.

Podemos começar falando do personagem principal da trama, que também é o autor do livro. Para quem não sabe,  Lemony Snicket é apenas um pseudônimo para a mente brilhante de Daniel Handler. Ele usa os livros em uma narrativa divertida sobre esse detetive-mirim que parece agir com mais responsabilidade e astúcia que todos os adultos ao seu redor, sejam eles sua tutora infame S. Theodora Markson ou até mesmo o casal de policiais da cidade.

Em seu primeiro caso como detetive, Lemony Snicket vai nos mostrando que aquela cidade em decadência está sob os olhos de um perigoso vilão, mas ninguém parece ligar pra isso, afinal Manchado-pelo-Mar mais parece uma cidade fantasma nos dias atuais. Ela que já foi um enorme comércio de tinta com suas máquinas enormes que extraiam litros e mais litros de tintas dos polvos que residiam no mar ao redor nas beiradas da cidade.

Percebemos que Lemony tem seus próprios propósitos e em seus planos só desejava resolver seu primeiro caso o mais rápido possível e retornar para algo que a muito planejava com sua irmã. Porém, os mistérios lhe prendem àquela cidade junto a um estranho interesse em uma menina que acaba conhecendo em meio essa bagunça que é Manchado-Pelo-Mar.

O autor sabe como desenvolver personagens rapidamente e logo você descobre quem está do lado do garoto-detetive. Aos poucos ele vai conhecendo outras crianças que vivem nas sombras de seus pais amarrados a Manchado-pelo-Mar por alguma causa perdida (ou presos a suas próprias causas perdidas). Um de seus aliados mais importantes é uma garota chamada Moxie, filha de um repórter que foi forçado a uma aposentadoria precoce. Atualmente pai e filha vivem em um farol que um dia já foi uma grande redação do jornal da cidade, porém a tinta dos polvos acabou e as máquinas que imprimiam os jornais pararam de vez. Moxie parece tão interessada nos mistérios de Lemony quanto nos mistérios que rondam sua cidade natal e no decorrer da história a menina-repórter, armada de seu chapéu coco e sua máquina de escrever se revela uma aliada indispensável para o jovem detetive.

E se você ainda se questiona se deve ler Só Perguntas Erradas, devo lhe informar que está fazendo a pergunta errada meu caro. Esse livro é uma das melhores obras juvenis que já tive o prazer de ler além de ser algo atual, tem todo um conceito e estética antiga, sem computadores e internet, apenas investigação e boas conversas cercadas me mistérios.

Só Perguntas Erradas é de longe Daniel Handler em sua melhor forma de escrita, uma leitura indispensável para aqueles que amam não só Desventuras em Série e querem saber um pouco mais sobre esse universo, como aqueles que amam livros de aventura com uma pitada de investigação e bom humor.