Edipo Pereira

6 fev, 2017

Hqs e Livros

O Velho Logan ganhou nova fase nas HQs, e o Carcaju está cheio de ódio pra dar.

O Velho Logan conquistou uma boa quantia de leitores. O arco do Wolverine criado por Mark Millar e Steve McNiven rapidamente se tornou um clássico moderno, tendo servido inclusive como inspiração para o filme Logan em 2017 (com as devidas diferenças entre cinema e HQ, logicamente). Veio então as Guerras Secretas da Marvel para revisitar o personagem, junto com um planejamento para que o Carcaju envelhecido se tornasse parte do universo regular da editora, até por que o Wolverine regular está morto (fazendo valer o velho ditado de que “ninguém morre” nas HQs).

O aspecto de caça aos indivíduos que tornaram seu mundo caótico deu à primeira edição de O Velho Logan uma perspectiva agradável nesse novo arco intitulado “Furioso”, onde o que começou com o Açougueiro Negro terminaria (se tudo ocorresse como esperado) no Caveira Vermelha. Já na segunda edição, no entanto, o alvo é ninguém menos que Bruce Banner, o Hulk.

É a partir daí que começa a desconstrução das expectativas do velho Carcaju, principalmente em relação ao que vimos na primeira fase de O Velho Logan: o Hulk que ele encontra é Amadeus Cho, o Gavião Arqueiro é na verdade Kate Bishop, e o Capitão América está velho, sem os efeitos do soro do super soldado. Tudo isso para reforçar que o passado ao qual ele voltou não é exatamente o mesmo do futuro distópico criado por Mark Millar e Steve McNiven. Uma cena onde isso é reforçado é quando Kate pede um spoiler para Logan sobre a identidade da nova Thor.

Nesse sentido, o roteiro de Jeff Lemire trabalha muito bem para introduzir e estabelecer Logan nesse novo mundo, o que não é uma tarefa muito fácil. Wolverine sempre foi um personagem deslocado mesmo quando na realidade correta, imagina então uma versão sua vinda de um futuro paralelo? Algumas coisas ficam batidas, no entanto. As motivações de Kate Bishop em acompanha-lo na busca até se justificam em relação ao tédio da moça, mas é muita ingenuidade não saber dos métodos letais de Logan. Ele perder na briga para um Capitão América de 90 anos também pareceu bem esquisito.

Com uma trama bem cadenciada, esse primeiro arco de O Velho Logan após Guerras Secretas entrega uma história razoável, mas que poderia ter se desenrolado melhor principalmente após a excelente primeira edição. Os desenhos de Andrea Sorrentino com as cores de Marcelo Maiolo continuam sendo um atrativo à parte, mostrando que há muita lenha para ser queimada nessa nova fase do Carcaju.

No Brasil, O Velho Logan está sendo publicado pela Panini numa mensal junto com a nova Wolverine.

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