Edipo Pereira

20 fev, 2017

Hqs e Livros

Nova história com Sam Alexander traz confrontos e dilemas de pai e filho

Possíveis spoilers a seguir.

Muita coisa mudou na vida do Nova. Para começo de conversa, um deles morreu (o saudoso Richard Rider), e eis que surge Sam Alexander para revitalizar e mandar para o colégio um super-herói reconhecidamente cósmico da Marvel Comics. Passado as Guerras Secretas, Sam está de volta com seu pai, sua mãe exigente e uma dúzia de problemas para lidar.

A trama acompanha Sam Alexander, o Nova, vivendo feliz como nunca em sua rotina de super-herói, aluno, irmão e filho. Tirando seus amigos (que são constantemente deixados na mão devido às responsabilidades de Sam como parceiro de seu pai e Vingador), as coisas andam muito bem obrigado. O problema é que o pai do garoto, recém-retornado, não parece ser bem a pessoa que afirma, deixando a estima do jovem para baixo. Além disso refletir em todas suas responsabilidades domésticas, o combate ao crime também é afetado devido à sua instabilidade emocional.

Temos aqui o mesmo tom encontrado em outros produtos Marvel, como a Miss Marvel Kamala Khan e o Homem-Aranha de Miles Morales. Ter esses heróis no colégio é a melhor maneira de abordar dilemas adolescentes, onde tantos sentimentos se misturam ao mesmo tempo que coisas novas chegam à vida em detrimento de outras. Não à toa, Kamala e Miles aparecem em algumas edições. Não apenas pelo fato dos três integrarem o mesmo time de Vingadores, mas também para projetar o futuro desses heróis como os Campeões.

O roteiro de Sean Ryan se concentra em grande parte na relação pai e filho, onde Sam e seu velho, ambos integrantes da Corporação Nova, unem seus trajes no combate ao crime. Trazer à tona uma história que envolve clones não parece ser a mais acertada das decisões também. Desde o começo de Sam nas páginas do Foguete Humano (desde sua criação por Jeph Loeb), os problemas do garoto se davam principalmente pela ausência do pai. Somado ao repetido envolvimento Chitauri na trama, fica a impressão de que as coisas não andam muito, causando um certo cansaço para quem acompanha Sam desde o início. O pequeno arco envolvendo o Toupeira e seus subordinados Moloides geram um rompimento muito brusco com a história principal, mas no final tudo acaba fazendo sentido e importando para o contexto.

É até compreensível que boa parte dos fãs peçam o retorno de Richard Rider (e isso deve acontecer de alguma forma), mas a dura realidade é que uma revista protagonizada pelo Nova Prime não se sustentaria por muito tempo nas vendas. Nessa abordagem jovial, com Sam Alexander, as coisas tendem a ser melhores pro bolso da Marvel Comics. Talvez haja espaço para os dois, não?

No Brasil, as histórias do Nova são publicadas pela Panini, atualmente na revista Universo Marvel.

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