A desolação dos mundos | Alec Silva

Sinopse

O ano é 2012. Durante um evento literário, o jovem Alexandre conhece Vannora, uma mulher que desperta nele emoções inquietantes e o leva para conhecer alguns lugares da capital de São Paulo. De uma amizade inesperada, não demora para brotar um sentimento que aparenta ser mútuo.
O que parecia ser uma história de amor logo se desdobra para uma fuga alucinada. Perseguida por criaturas oriundas de mundos além do nosso, a dupla contará com a ajuda de Ailith, uma destemida e furiosa espadachim com características felinas e poder de se teletransportar. Enfrentando perigos cada vez mais mortais, o trio percorrerá fragmentos de um mundo em miniatura, ficará diante de bestas do passado, soldados do futuro e as incertezas que o fim do mundo costuma trazer.
Na jornada até uma mítica cidade no meio da Floresta Amazônica, Alexandre descobrirá mais sobre os motivos de ser caçado, além de tentar conquistar a mulher que ama. Mas segredos ainda mais profundos podem mudar os rumos de sua vida para sempre.
“A desolação dos mundos” é uma fantasia científica sobre mundos perdidos, realidades paralelas e universos compartilhados, influenciada pela trilogia “Fronteiras do Universo”, de Philip Pullman, filmes wuxia, esoterismo e física quântica.

E é bom?

A narrativa começa de maneira lenta, construindo aos poucos ambos protagonistas antes de sermos jogados em uma ação inusitada e corrida, com seres indescritíveis – meio robóticos, meio seres vivos, sei lá – tentando matá-los. Vannora e Alex são protegidos por Ailith, uma mistura de criatura mística felina com humana (é um conceito meio complicado de explicar, mas imaginem a Cheetarah do Thundercats que tá tudo certo), e precisam confiar nela imediatamente para salvar as suas vidas e, misteriosamente, do mundo também. O véu entre os diversos mundos existentes está se rasgando e fará com que eles colidam, destruindo tudo o que existe. Por alguma razão, Vannora e Alex são necessários para salvar esses universos e a missão de Ailith é levá-los até uma cidade mística que fica em um local nem lá, nem cá, onde tudo será respondido.

Alec Silva, o autor de A desolação dos mundos, teve um cuidado imenso na preparação da história, e atua de maneira a tapar alguns buracos que histórias de ação frenética como essa causam, como, por exemplo, os protagonistas vão em uma longa jornada sem nada – roupas, alimentos, remédios etc. Aqui, tanto Alex quanto Vannora tem consciência de que, se vão se meter em uma aventura para atravessar o país, principalmente enfiados em locais selvagens, precisam do mínimo e fazem questão de providenciar isso.

Falando em atravessar o país, Alec toma decisões maravilhosas para explicar como o trio chegou no Acre partindo de São Paulo a pé sem demorar um ano inteiro. A passagem de tempo é sempre pontuada, assim como as dificuldades cotidianas são citadas, sem precisar ficar o tempo todo falando sobre, e, aproveitando-se da explicação sobre o véu rasgado, este proporciona passagens rápidas entre os mundos, que podem guiá-los a outros espaços do país, para mais perto do seu destino. Mas nada disso é fácil, prático e realmente rápido.

Eles passam por situações perigosas o tempo inteiro, sobrevivendo por pouco e sempre contando com as habilidades sobre-humanas de Ailith para derrotar as criaturas que os perseguem. A cada dia que passa, a aventura vai ficando mais complicada e perigosa, e você teme pelos personagens cada vez mais. Aliás, também me angustiou toda vida que Vannora ou Alex pensavam nas pessoas que amam, seus familiares, todos deixados para trás e sem a mínima garantia de que irão sobreviver, ficar bem ou o que for. Fiquei imaginando se eu conseguiria, mesmo se fosse para salvar o mundo.

Uma das poucas coisas que me incomodou durante a narrativa foram alguns vícios de escrita do autor, como a palavra “arfou”, e alguns momentos muito expositivos. Entretanto, estes momentos são necessários e têm função narrativa, então o desconforto foi deixado de lado em prol de entender melhor a história.

De resto, A desolação dos mundos entrega uma fantasia científica de aventura, com protagonismo demissexual, um romance bem construído, personagens femininas não somente relevantes como fortes, que mistura diversas coisas que adoramos, como dinossauros! E sim, faz sentido dentro da história, nada é por acaso. Alec consegue construir, de forma orgânica, cada espaço da narrativa, de forma que seja bem gostosinho de ler e acompanhar essa aventura.

Ah, e ele se utiliza de um recurso que eu adoro, mas que pode frustrar muita gente: por ser do ponto de vista de Alex, sabemos o mesmo tanto que ele, logo, se há um mistério inexplicável, o autor não vai fazer uma narração expositiva sobre isso, pois o protagonista não faz ideia do que é aquilo, e é curioso ver pelos olhos dele certas coisas – principalmente quando tenta descrever criaturas ou situações absurdas, que são muitas. Ele faz exatamente como qualquer pessoa faria, de maneira confusa.

Outro ponto positivo é que é uma história 100% brasileira, sem aquela inspiração nas obras estadunidenses aos quais tanto nos habituamos, o que é uma delícia. Ah, e Alec é do meu país Nordeste, então o livro também não é centralizado no Sul do país, o que também é um alívio, já que é a região considerada como o polo da Arte no país.

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