Metroid Prime: Federation Force (Nintendo) | Crítica

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A série Metroid figura como uma das minhas preferidas dentro do universo dos games. É uma lástima como a Nintendo tem tratado tão mal essa maravilha, fazendo os fãs sofrerem durante 05 anos sem nenhum game da série. O último jogo inédito foi Metroid: Other M para Nintendo Wii e não agradou a todos, por isso um novo game era bastante aguardado e na E3 de 2015 foi anunciado um novo jogo para a alegria dos fãs, mas não foi bem assim.

A recepção de Federation Force foi negativa, pessoas brandavam “isso não é Metroid, “tragam nossa série de volta, “não vamos comprar essa porcaria” e por aí vai. Chegou até ao cúmulo de alguns fãs começarem um abaixo-assinado para cancelar o lançamento do jogo. Mas passado o lançamento de Federation Force para Nintendo 3DS, jogamos boas horas do game e podemos afirmar que a NintendoNext Level Games criaram um jogo competente e divertido.

O Jogo

Metroid Prime: Federation Force é um shooter multiplayer co-op para até 4 jogadores que se passa após os eventos do jogo Metroid Prime 3: Corruption. Com a destruição do planeta Phazee, a galáxia encontra-se mergulhada em um caos completo e devido a estas circunstâncias, a Galactic Federation resolve treinar soldados para o seu project Golem.

Project Golem consistia em soldados usando uma especie de robô ou mechas para realizar as mais diversas missões em planetas hostis da galáxia. No novo jogo não controlamos a caçadora de recompensas mais badass da galáxia, mas sim um recruta da Federação, aqui podemos perceber a primeira diferença entre Federation Force e outros jogos da franquia, a solidão, em Metroid a sensação de isolamento é sempre presente, nos encontramos sozinhos nos mais terríveis recônditos do universo. Por sua vez, Federation Force nos transporta para missões co-op com até 4 players tanto local como através da internet, e posso afirmar, é divertidíssimo jogar com os amigos.

2888230-3ds_meroidprimefederationforce_scrn06Não se engane, o jogo não é assim tão feio…mas é feio!!

Outro ponto que diferencia a série principal de Federation Force é em relação a estrutura das missões. Enquanto Metroid possui apenas uma única missão com progressão através de itenspower-ups dentro de um mundo aberto, em Federation Force as missões são curtas com duração variando entre 5 e 20 minutos e se dividindo entre 3 planetas.

Existe uma boa variedade de missões no jogo, entre exterminar inimigos, resolver puzzles, proteger determinado setor e até mesmo o confronto com bosses, podendo durar até 20 minutos de combate com esses chefes.

O jogo é linear, mas existe um espaço para a exploração dentro das fases, onde podemos encontrar MODs que serão equipados ao nosso Golem nos rendendo upgrades em determinadas armas e efeitos especiais para as mesmas.

Apesar da lineariedade, em determinados momentos podemos escolher qual missão iremos enfrentar, sendo semelhante ao The Legend of Zelda: Triforce Heroes, antes de cada missão, podemos customizar nosso mechas com os MODs encontrados e também com cores diferentes para nosso robô, sendo até mesmo possível o uso de amiibos para destrancar cores exclusivas.

Dentro das missões, existe o objetivo principal e alguns objetivos secundários que nos rendem pontos, com essa pontuação ganhamos medalhas que medem nossa performance com variação de 1 à 3 medalhas conquistadas.

Blast Ball

Federation Force possui um extra que é o game Blast Ball, que consiste em uma partida de um esporte parecido com futebol no futuro. Em uma partida de 3×3 o objetivo trata-se de fazer gol na meta do adversário, mas usando as cannon arms dos robôs. Se você jogar com os amigos é algo divertido, trazendo um espírito de Rocket League, mas no fim, é apenas um extra.

Aspectos Técnicos

Começo dizendo nesse tópico que Federation Force é um jogo feio, mas não tão feio quanto foi mostrado nos trailers de lançamento do jogo, mas ainda bem aquém de outros títulos do portátil da Nintendo.

Os controles do jogo funcionam de forma razoável, principalmente se o jogador possui um c-stick ou o acessório circle pad pro, trazendo assim um experiência mais próxima aos shooters dos consoles de mesa. Ademais se o player não possui nenhum dos dois acessórios os controles podem ficar um pouco confusos, mas nada que não possa acostumar-se com o tempo. Mas mirar com o giroscópio do portátil é algo que pode incomodar alguns, principalmente se está com o recurso 3D ligado. Por fim, o mapeamento de botões segue o padrão da série Prime no Gamecube.

Mesmo o jogo sendo um tanto feio, alguns design de fases são interessantes, me fez, algumas vezes, sentir confortável em determinadas localidades por possuírem um toque de familiaridade. O design dos inimigos é básico, parecido com os da série Prime nos consoles de mesa, apenas tendo uma resolução mais baixa. Mas algo que me chamou a atenção foram os bosses, todos eles tem um design muito bonito.

A trilha sonora do jogo é espetacular, é possível perceber que a música tema ainda tem o poder de causar arrepios. Se jogado com o fone de ouvido enriquece mais a atmosfera do game.

Com relação a dificuldade, o game não é complicado como antigos jogos da série, mas também oferece uma certa dose de desafio, principalmente se você jogar sozinho. Após o término da campanha principal será desbloqueado um modo Hard. Ainda não joguei o suficiente para perceber se há alguma mudança nas fases entre o modo Normal Hard, ou se é apenas a dificuldade aumentada que realmente muda.

O jogo tem uma duração média de 15 horas, que é um tempo considerável para um jogo portátil, mas esse tempo pode subir se você deseja fechar o game com 100%, o que geralmente rende um “final verdadeiro”, aqueles que são conhecedores da série sabem do que estou falando.

Algo que me deixou bastante chateado foram a falta de referências aos antigos games da franquia, como fã, era algo que desejaria ver. Adoraria ficar relembrando momentos especias da série nesse game, mas fazer o que, né?!

Considerações Finais

Federation Force não é o Metroid que queremos, nem o Metroid que merecemos. Mas se você for testar o jogo livre de preconceitos pode chegar a se surpreender. É um jogo bastante competente naquilo que ele se propõe a fazer, carregando o selo de qualidade Nintendo, mas, no fim, não é um Metroid tradicional e falha também em tentar expandir o universo da franquia.

No fim, esse jogo é uma boa aquisição para a biblioteca do 3DS que carece de games do gênero, principalmente se você tem a oportunidade de jogar com seus amigos o co-op. Mas ainda não é um Metroid.