Raphael (Ph) Carmo

19 fev, 2022

Games

O gênero Metroidvania inspirou diversos jogos indie da atualidade. É comum termos jogos que utilizam dessas mecânicas para oferecer uma experiência de mundo aberto repleta de exploração. Infernax é a mais nova entrada nesse estilo. Apostando em uma estética retrô mais voltada para os 8 bits e uma direção de arte vinda diretamente do 9° círculo infernal.

Infernax é um jogo de plataforma 2D com foco em exploração. Nele, você controla um Duque que acabou de voltar das cruzadas e descobre que seu ducado está repleto de demônios. Agora, nosso personagem vai ter que explorar suas terras para banir ou se aliar a esse mal.

Não dá para negar que Infernax bebe muito da fonte de Castlevania II: Simon's Quest. Desde seus inimigos demoníacos, até a movimentação do personagem e no seu foco em exploração e descobrimento de segredos. Apesar disso, ele dá uma mexida na fórmula adicionando elementos de RPG e um sistema de moral. Falando mais sobre essas escolhas, Infernax te dá de vez em quando algumas escolhas morais do que fazer em certas quests e interações com personagens. Apesar de serem escolhas bastante maniqueístas, você sente que está influenciando o mundo mesmo que um pouco. Algumas decisões habilitam novas quests, outras te ajudam a pegar um dos 6 finais diferentes do jogo e outras mudam até mesmo o cenário em que você passeia.

Unindo essas escolhas com a exploração e descobrimento de novas quests e segredos através de NPCs, Infernax me passa um sentimento gostoso de um mini RPG de mundo aberto. Esse pequeno jogo indie mostra que experiências de mundo aberto podem ser mais contidas, sem perder parte da imersão e sentimento de exploração de mundo. Não é necessário um mapa gigante para entregar isso ao jogador. Como todo bom Metroidvania, o mundo de Infernax vai se abrindo mais cada vez que você adquire uma nova habilidade. Algumas magias extremamente importantes, inclusive, estão em locais pouco óbvios dentro das dungeons. Apesar disso ter me incomodado um pouco por me deixar travado, achei legal que o jogo espalhou bem quests e upgrades por todo o mundo, lhe incentivando a explorar cada pixel oferecido.

Outro ponto em que o jogo acerta em cheio é na sua escolha de dificuldades. Infernax possui uma filosofia de design antiga no seu modo clássico, informado pelo jogo que é a forma sugerida de jogar. Você possui vidas limitadas e quando perde todas, volta até um dos checkpoints que normalmente ficam no começo das dungeons. Além disso, você perde toda experiência e ouro obtidos no caminho. As fases e inimigos do jogo não são tão difíceis assim, mas ao jogar nesse modo o jogador pode ficar um pouco frustrado de ter que repetir dungeons  inteiras ao cair em um dos diversos locais de instal kill que o ele possui. Felizmente, um modo casual é oferecido. Nele, são adicionados mais checkpoints e você consegue manter parte da experiência e ouro obtidos antes de morrer. É uma mudança simples que não deixa o jogo exatamente mais fácil, mas deixa-o mais acessível para ser completado. Além disso, ao mudar para o modo casual, o jogador não pode mais voltar ao modo clássico, impedindo que o jogador utilize dessa estratégia a todo momento. Às vésperas do lançamento de mais um jogo da série Souls, é importante sempre discutirmos a acessibilidade através de escolhas de dificuldade. Um jogo indie como esse conseguiu acertar na forma como oferece suas dificuldades sem mudar muitos dos seus elementos. Por que a From Software ainda mantém sua filosofia de não oferecer diferentes níveis de dificuldade com a desculpa da "forma certa de jogar"?

Infernax é um pequeno grande jogo indie que oferece muita exploração através de um charmoso estilo 8bits com bastante gore  e satanagens. Sua trilha sonora, mecânicas e arte vão te levar direto para o passado mas ao mesmo tempo adicionando escolhas de design mais atuais. Sua jogabilidade não possui nada de muito novo mas sua exploração e diferentes caminhos que oferece ao jogador vão te deixar imerso nessa experiência por um bom tempo. É um jogo que sabe o que quer e que também dá agência ao jogador para escolher a forma como vai abordar essa jornada. Espero que ele inspire mais jogos a oferecerem essa experiência de um RPG de ação mundo aberto mais contido. O jogo saiu diretamente para Game Pass então vale muito dar uma conferida.

Deixe um comentário