O final de Sonhos de Trem (Train Dreams, 2025), dirigido por Clint Bentley e estrelado por Joel Edgerton, se concentra na memória como eixo emocional da trajetória de Robert Grainier. A adaptação da novela de Denis Johnson acompanha o lenhador ao longo de décadas, sempre marcado pelo desaparecimento da esposa Gladys e da filha pequena após um incêndio devastar sua casa. O desfecho do filme aprofunda esse tema e amarra a jornada do protagonista com elementos que misturam realidade, imaginação e luto.
O final de Sonhos de Trem, de Clint Bentley: o que acontece no filme?
Nos momentos finais, Robert vive sozinho em uma pequena cabana, afastado do ritmo acelerado das mudanças que transformaram o início do século XX. O tempo passa, o trabalho diminui e ele se torna um observador silencioso de um país em modernização. A solidão, porém, não se encerra no plano físico: é também um estado emocional que determina sua forma de enxergar o mundo.
O ponto central do final acontece quando Robert vê a figura da filha, já crescida, atravessando a floresta. Ela aparece em silêncio, num encontro marcado pela ambiguidade. O filme mantém o caráter simbólico da novela, mas opta por representar a aparição de maneira mais realista. A jovem se aproxima, observa o pai e desaparece entre as árvores. A cena não confirma se se trata de uma visão, um sonho ou um produto do desejo de um homem que passou a vida inteira preso à ausência. O que importa é a maneira como essa aparição reordena os sentimentos do protagonista.
Depois dessa experiência, Robert parece encontrar uma espécie de paz. A narrativa sugere que ele aceita aquilo que não pôde mudar e que sua vida, ainda que marcada pela perda, carrega momentos de afeto guardados na memória. A presença da filha funciona como fechamento de um ciclo: Grainier confronta, pela última vez, a dor que o acompanhou durante décadas.
No plano final, vemos Robert observando o entorno que sempre o acolheu — a floresta, o trilho, o rio. A natureza opera como espelho de sua vida, reforçando que o tempo segue adiante, independente das escolhas humanas. Sonhos de Trem encerra-se, assim, com um olhar melancólico sobre o passado e com a ideia de que a memória, mesmo fragmentada, é o que sustenta a identidade do protagonista. Confira o final explicado completo do filme.