Crítica | Tomb Raider: A Origem surpreende e entrega um bom filme de aventura

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Adaptação consegue levar um pouco do game para as telas de cinema, supera as expectativas e mostra uma nova visão de Lara Croft

Tomb Raider: A Origem é mais uma tentativa de adaptação de games para as telas de cinema, e que, de certa forma, consegue ter um pouco de sucesso no que propõe, mesmo enfrentando os mesmos problemas que diversos outros filmes baseados em games tiveram, a interatividade. O diretor Roar Uthaug (do elogiado e indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, A Onda), junto com o roteiro escrito por Geneva Robertson-Dworet e Alastair Siddons que usa como fonte o jogo de 2013 e alguns dos elementos do de 2015, traz para o filme diversas cenas de ação que são retiradas diretamente do jogo, com o visual competente, mas pecando as vezes no excesso do CGI (por mais que seja necessário em alguns momentos).

Ao mesmo tempo que o filme presta homenagem ao jogo, uma história diferente é apresentada. A Lara Croft dos filmes não é a mesma dos games, aqui ela ainda não acredita no misticismo, não é uma arqueóloga e muito menos uma mestre na arte da luta. Lara ainda é jovem, uma entregadora na cidade de Londres, usa uma bicicleta e quase não tem dinheiro para pagar suas contas, tudo isso devido ela renegar a sua herança e não aceitar a morte de seu pai, Richard Croft. Vale dizer que a motivação para Lara começar sua jornada para se tornar a Tomb Raider que conhecemos é um tanto quanto questionável. Seu objetivo é saber o que aconteceu com o seu pai, e o filme gasta boa parte do seu tempo explorando a relação entre os dois, no passado e presente. Por mais que essa motivação ajude no crescimento da personagem durante o filme, poderia ter sido algo reduzido, para então a história “mística” ganhar mais destaque.

A personalidade de Lara Croft é trabalhada do início ao fim do longa, e Alicia Vikander entrega com excelência sua atuação mais humanizada da personagem, assim é possível acompanhar a evolução através de cada obstáculo que a personagem enfrenta. O amadurecimento de Lara é principalmente visto em uma determinada cena de luta, que define quem ela vai ser a partir daquele ponto. Os demais personagens fazem o papel que precisam fazer, desde o parceiro de viagem Lu Ren (Daniel Wu), com uma conexão clichê com a protagonista, e o vilão, Mathias Vogel (Walton Goggins), também clichê, que serve apenas para ser o cara mau da trama. O filme é cheio de situações clichê, mas que funcionam, se aceitarmos que tudo ali é pura diversão. E diversão é o que o filme consegue passar, dá para ficar sentado na cadeira durante todo o tempo do filme, a trilha sonora ajuda a se envolver nas situações e as vezes o roteiro consegue arrancar alguns risinhos.

Para quem é fã dos jogos, a experiência pode ser um pouco afetada, alguns elementos são deixados de lado, outros são distorcidos, por exemplo, os enigmas que aparecem são simples e decepcionam um pouco, não fazendo jus à inteligência que Lara possui, mas está tudo lá e o filme entrega um resultado satisfatório. E para quem nunca jogou, é uma boa introdução ao mundo de Tomb Raider.

Entre as diversas adaptações de games que já chegaram ao cinema e não tiveram um bom resultado final, Tomb Raider: A Origem consegue trazer um suspiro de esperança, honrar o seu material de origem ao mesmo tempo que oferece novas ideias, e principalmente cumprir a missão de divertir quem assiste. Não é a adaptação mais fiel, mas pelo menos supera as expectativas e entrega um bom filme de aventura.