Edipo Pereira

10 fev, 2017

Filmes

John Boyega estrela drama exclusivo Netflix sobre as dificuldades de um pai ex-presidiário

Representatividade é algo que tem contado muito para a Netflix. Em diversas ramificações do entretenimento, podemos identificar produtos exclusivos do catálogo da maior rede de streaming pautados nessa questão, como podemos identificar em The Get Down (série musical que trata das origens do Hip Hop), A 13ª Emenda (documentário que relaciona o problema carcerário dos EUA com o racismo estrutural e histórico do país), Luke Cage (série de super-herói da parceria com a Marvel), e agora Sonhos Imperiais, filme dramático estrelado por John Boyega.

A trama acompanha Bambi (Boyega), um rapaz de 21 anos que acaba de sair da prisão e volta para seu bairro natal em Los Angeles. Disposto a levar uma vida digna e prover o necessário para a criação de seu filho, suas convicções serão testadas frente às tentações do crime e as dificuldades de se adequar ao sistema.

Se fôssemos relacionar Sonhos Imperiais com algum dos supracitados produtos da casa, o mais adequado seria com A 13ª Emenda. O filme dirigido por Malik Vitthal aborda algumas questões semelhantes ao documentário de Ava DuVernay, mas de modo mais íntimo. John Boyega prova aqui se tratar de um ator flexível. De origem britânica, seu personagem convence bem tanto como parte do bairro periférico de Watts quanto como um pai tentando educar seu filho. Vale lembrar que a estreia do filme se deu no Festival de Sundance em janeiro de 2014, ou seja, antes do ator se tornar famoso com Star Wars: O Despertar da Força.

Temos aqui um beco sem saída, do tipo que existe na vida de milhares de pessoas pobres e ex-presidiárias. Para se adequar ao sistema, você precisa se uma série de pré-requisitos que o próprio sistema te impede de conseguir, negligenciando oportunidades para uma pessoa que (supostamente) já pagou suas pendências morais e judiciais com a sociedade.

Pesa contra o filme a própria temática, já abordada exaustivamente ao longo dos anos no cinema, seja independente ou até mesmo em Hollywood. Nesse sentido, Sonhos Imperiais não entrega nada genuinamente original para o espectador.

Sem curva melodramática, Sonhos Imperiais opta por seguir uma linha mais realista. Isso beneficia para tornar todo seu contexto crível, onde o final não se preocupa em projetar algo otimista nem mesmo trágico, evitando o clichê karma do ex-criminoso que precisa pagar pelo seu passado. Ao mesmo tempo, faltaram algumas coisas para o filme de Vitthal que tem potencial para apresentar mais, seja em Watts ou não.

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