Raphael (Ph) Carmo

2 ago, 2017

Filmes

Poucos iriam imaginar que o remake/prequel de O Planeta dos Macacos: A Origem lá em 2011 com James Franco poderia se tornar uma das melhores franquias de blockbuster do cinema atual. O novo filme de Matt Reeves (também responsável pelo segundo filme) segue a fórmula do passado, mas trazendo novos elementos e um clima bem mais dark.

Planeta dos Macacos: A Guerra continua a história do macaco Cesar (Andy Serkis) agora defendendo o seu povo da retaliação humana depois da rebelião de Koba. Os seus seguidores procuram um novo lugar mais seguro para viver enquanto fogem do maligno Colonel (Woody Harrelson) e suas tropas.

Como toda boa ficção científica, a grande sacada de Planeta dos Macacos é usar um cenário fantasioso como crítica para problemas que existem em nossa sociedade. O último filme já trazia muito bem um conto sobre guerras e como conflitos acontecem e esse segundo continua essa jornada, agora trazendo novos elementos mais pessoais e intimistas. Mais uma vez, as motivações de todos os lados são entendidas e ficamos ali no meio, sentindo pelos personagens humanos e macacos que estão sofrendo com uma guerra que não deveria ter acontecido, que poderia ser resolvida com um diálogo. Algo que se aplica perfeitamente ao mundo real.

O vilão do filme (chamado somente de Colonel justamente para representar um líder militar genérico), é um extremista que odeia os macacos e acaba desertando até do próprio exército por causa dos seus atos. Até mesmo Cesar nesse filme acaba passando dos limites em sua busca por vingança, mostrando um lado mais vingativo e menos prático enquanto é atormentado pelo fantasma de Koba.

Não somente o contexto do filme está impecável, mas a qualidade técnica também dá um show a parte. A fotografia do filme está linda, trazendo sempre muita emoção e drama às cenas de ação. A qualidade da animação dos macacos é algo que fica repetitivo de comentar de tão bom que é. Nesse filme as expressões estão até melhores, com destaque para algumas cenas com closes quando um macaco morre, mostrando as mais simples e pequenas modificações no rosto quando a vida deixa o ser, é algo realmente impressionante.

Mas não podemos falar da qualidade das expressões de Cesar sem falar em Andy Serkis. O cara deu vida a um incrível personagem digital e merece muitos créditos por isso, eu nunca imaginaria que um chimpanzé poderia ser um personagem tão badass no cinema. Destaque também para Amiah Miller que faz a garotinha no filme, muito simpática e carismática e também para Steve Zahn que faz o "Macaco Mau", responsável pelas cenas de alívio cômico e com expressões bem peculiares.

O sempre ótimo Michael Giacchino traz uma trilha sonora que consegue trazer todo o sentimento pós apocalíptico, com trilhas tensas e outras com batidas mais fortes para as cenas de ação, passando até para tons mais tribais. Tudo encaixando perfeitamente bem com as câmeras do diretor Matt Reeves, com dinamismo nas cenas de ação e câmeras lentas ocasionais para causar um drama maior aos combates (aprende Zack Snyder).

A única falha do filme na minha opinião é a falta da "Guerra" propriamente dita, o filme está bem mais intimista e ainda fala sobre conflito, mas senti falta de um combate mais épico no terceiro ato, deixando um gostinho de anti-clímax. Principalmente porque o resultado do embate é bem inesperado, usando até elementos bem Deus Ex Machina.

Planeta dos Macacos: A Guerra encerra de forma magistral a trilogia iniciada há 6 anos atrás. É bem provável que existam novos filmes nesse universo, mas esse longa termina um ciclo de ótimas ficções científicas. O longa traz uma história mais intimista e sombria, mostrando os piores lados de uma guerra e fazendo uma ótima alegoria com nossa sociedade, até mesmo dando espaço para criticar o governo Trump para aqueles que perceberem os detalhes. Recomendadíssimo.

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